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| Sínodo de Dort (1618-1619) |
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| François Turretini |
Um olhar admirado sobre coisas corriqueiras da vida.
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| Sínodo de Dort (1618-1619) |
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| François Turretini |
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| Treant.JS do Fran Peručić |
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| Cytoscape.js - Biblioteca JS topíssima !!! |
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| Meu formulário simples usando Cytoscape |
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| Interface da MermaidChart para fazer qualquer gráfico |
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| Perfidia atirando com uma arma de grosso calibre e gravidíssima |
Baseado em um post do MeioBit (blog de tecnologia e muito mais) que aborda uma funcionalidade pouco usado em páginas de internet - que é fazer a descrição da tag ALT do HTML onde há imagens e outros elementos de mídia. A tag ALT é essencial para acessibilidade de pessoas que possuem limitações visuais. Essa tag sendo descrita os softwares que leem as páginas HTML podem descrever os conteúdos das páginas de modo muito mais detalhado e assim "enriquecer a experiência" do usuário. Mas normalmente esta tag não é descrita pois normalmente os editores não a completam, dependendo do editor é necessário inclui-la direto no código HTML (como é o caso aqui do editor do Blogspot).
Eu vi importância em preencher a tag ALT e por isso passei a sempre incluir a descrição. Mas na minha simplicidade eu fazia um texto rápido, podemos dizer até rasteiro. Então eu li este artigo no MeioBit , que apresentava uma ferramenta de IA que produz ótimos textos para a tag ALT. O texto explica o problema, mostra como é complicada a vida em redações de portais e quanto se perde em não preencher a tag ALT. A ferramenta utilizada, na verdade, um conjunto de nodes do ComfyUI. A combinação desses nodes é formada pelo Florence2 que é um modelo de visão computacional que reconhece os elementos da imagem; o ComfyUI Translator que basicamente traduz os textos entre várias linguagens; o ComfyUI Custom Scripts e para amarrar esses nodes tem o BabelPeixe que é um script que usa os nodes ComfyUI. Este conjunto forma a solução e é bem eficiente, porém o uso não é tão fácil para um usuário médio, pois é necessário fazer algumas instalações, módulos, scripts, python, etc.
Eu estava disposto a passar por todo esse processo para usar a ferramenta e verificar o quão boa ela era, mas do nada eu pensei - porque não colocar a imagem para os modelos de IA tradicionais fazerem a descrição... pois bem eis a comparação entre os resultados obtidos.
Esta é a imagem base que será avaliada:
Está é a descrição obtida pelo BabelPeixe: "A imagem mostra dois jovens, Robert Pattinson e Kristen Stewart, sentados em um banco em um parque ou jardim. Ambos estão usando jaquetas pretas e parecem estar envolvidas em uma conversa. Robert está no lado esquerdo da imagem, com as mãos apertadas na frente dele. Kristen está sentada ao lado dele, com as mãos descansando em seu colo. No fundo, há um homem vestindo um casaco preto e óculos de sol, que parece ser um personagem da saga de Twilight. O céu está nublado e há árvores ao fundo."
Submeti a imagem ao Gemini (2.5 Flash) e obtive o seguinte resultado: "A imagem mostra uma montagem de três personagens. No centro, Edward Cullen e Bella Swan, da saga "Crepúsculo", estão sentados em um ambiente de floresta, olhando um para o outro e conversando. Bella tem uma expressão séria, enquanto Edward sorri para ela. Ambos estão vestidos com casacos escuros. Ao fundo, à esquerda, o personagem Blade, do filme homônimo, está de pé, parecendo observar o casal com uma expressão séria. Ele usa seu característico casaco de couro preto e óculos escuros. A imagem é uma junção de dois universos, criando um contraste humorístico entre o romance de "Crepúsculo" e a ação de "Blade"."
Já o ChatGPT deu a seguinte resposta: "Montagem humorística em que dois personagens do filme Crepúsculo, um jovem de cabelos castanho-avermelhados sorrindo e uma jovem de cabelos longos castanhos conversando, estão sentados juntos ao ar livre, enquanto ao fundo aparece Blade, personagem de filmes de ação sobre caçadores de vampiros, observando a cena de pé com expressão séria e usando óculos escuros, sobretudo preto e armadura."
Qual o melhor ? Na minha visão o BabelPeixe não foi mal, mas tanto o Gemini quanto o ChatGPT foram melhor. A título de exemplo eis a análise de uma imagem do post anterior pelo Gemini.
"A imagem, em preto e branco, mostra uma fotografia vertical de Jorge Luis Borges. A foto foca em seu rosto e ombros. Ele está sentado, com a cabeça levemente inclinada para trás e para a direita. Seus olhos estão fechados e ele sorri de forma espontânea, parecendo rir. O escritor usa um terno escuro sobre uma camisa branca e uma gravata. Ao fundo, um borrão desfocado com listras verticais escuras e claras, que pode ser uma cortina ou a estampa de um móvel. A imagem transmite um momento de alegria e descontração do famoso autor."
Concluindo... os modelos de IA no meu parecer são mais eficientes e fácil de usar do que o BabelPeixe. Porém num cenário em que muitas imagens teriam que ser descritas, ferramentas como o BabelPeixe podem sim ser uma opção bastante válida.
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Link do BabelPeixe no Meiobit: https://meiobit.com/466066/babelpeixe-usando-ia-em-prol-da-acessibilidade-e-do-seo
Documentação da tag HTML <img> alt - https://www-w3schools-com.translate.goog/tags/att_img_alt.asp?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
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| "Capa de Ficções" de Borges |
Li Ficções, publicado pela Companhia das Letras, tradução de Davi Arrigucci Jr. O livro em si pareceu impecável para mim, pequeno mas sem erros aparentes. E ao contrário das minhas outras leituras consegui ler Ficções em um único dia o que me deu visão total do livro.
Em Ficções - que é uma coleção de contos - foi publicado originalmente em 1944 e para mim mostra um Borges que aborda o fantástico, o filosófico, as reviravoltas como se fizesse crônicas. Alguns personagens e objetos parecem tão comuns como se fossem do trato pessoal do autor, inclusive são referenciadas de modo cruzado aparecendo em mais de um conto. Borges tem muitas referências numéricas, referências a datas, inclusive horas o que mostra como se ele quisesse localizar os fatos no tempo e isto meio que nos lança a realidade que ele vai subvertendo até reviravoltas espetaculares. Há referências a enciclopédias e seus verbetes e a bibliotecas e claro a livros, artigos e seus autores. Em vida, Borges era aficionado por enciclopédias, que é algo bem "primeira metade do século XX".
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| Lista dos contos em "Ficções" |
Pude notar que Borges, talvez por ter sido escrito na primeira metade do século XX, talvez por ser este mesmo o estilo do autor, não poupa seus personagens de seus destinos. O personagem que está em duelo é ferido, sangra e morre, o que está diante do pelotão de fuzilamento também não foge ao destino, não há saída mágica. Mesmo com as reviravoltas, com o fantástico, a realidade concreta e cruenta se impõe.
Foi estranho perceber Borges enfatizando fatos e coisas nos seus contos como se os tivesse visto. E na verdade ele os viu. Ele veio a ficar cego somente em 1954, quando eu soube pela primeira vez do autor lá pelos anos 80 e já era cego e eu supunha que ele havia sido cego a vida toda. No livro, nas primeiras páginas há esta foto de Jorge Luís Borges, já cego à época.
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| Borges rindo... |
Li dois livros, de forma não intencional, Linha-d'Água de Amyr Klink no qual ele descreve décadas na construção de navios, viagens náuticas diversas, problemas e desafios da navegação oceânica em terra e no mar, enfim esse estranho mundo náutico neste planeta tomado de oceanos. E o outro foi A Incrível Viagem de Shackleton de Alfred Lansing no qual descreve a viagem empreendida por Ernest H. Shackleton em 1914 que visava atravessar o continente antártico mas tornou-se uma luta hercúlea pela vida em ambiente extremamente hostil.
Os livros invariavelmente abordam a região austral e o continente antártico e navios. Apesar de não relacionados, dá para notar uma inquietação em Klink pela navegação, o continente antártico, o Sul da América, a sede da viagem da exploração que em Shackleton beira à loucura. Loucura no sentido de tentar o inédito, de ser o primeiro, da exploração mas que diante de obstáculos incontornáveis preserva a vida de sua tripulação com grandes sacrifícios. Coisas que no conforto do século XXI cheio de recursos jamais imaginados de comunicação, navegação, construção náutica, etc, é necessária coragem além do razoável para levantar recursos e empreender tal aventura.
Ao se deparar com as agruras enfrentadas pela tripulação de Shackleton e o quanto foram provados em dificuldades de fome, intempéries, doenças, risco de morte constante e ainda assim conduziram a expedição esperando o melhor no início mas depois que chegaram a região foi como se tivessem comprometidos ao sacrifício de suas próprias vidas. Mas nenhum navegador se perdeu. Infelizmente esse espírito de explorador de Shackleton o levou à morte quando 5 anos depois empreendeu nova expedição e veio a falecer por ataque cardíaco aos 47 anos na ilha Geórgia do Sul. A esposa, Emily, pediu para que ele fosse sepultado na ilha mesmo, no que foi atendida.
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| Sepultura de Ernest H. Shackleton em Grytyiken, Geórgia do Sul |
Já Klink que fez seus relatos de paixão pela navegação, empreendimentos os mais diversos para viabilizar projetos com dificuldades enormes desde a falta de cultura náutica nacional, política, crises econômicas, fornecedores pouco profissionais, ainda assim construiu seus barcos e fez suas viagens transatlânticas, de circunavegação global, várias viagens à região austral. Klink tinha família e ele e sua tripulação se abalavam a regiões distantes e mesmo com os recursos dos anos 1990 por vezes ficava tempos sem comunicação seja por estar em regiões sem cobertura seja por tempestades vultosas e imprevisíveis. Mas ninguém se perdeu.
Tanto Shackleton quanto Klink guardadas as devidas diferenças e proporções são expoentes do wanderlust náutico ? Com certeza que são. Mas aqueles que viveram no mar é que de fato podem reconhecer o valor, a dificuldade, a vitória sobre os impossíveis que empreender tais projetos.