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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Atualização do pace dos recordes das provas de atletismo

Uma colagem vertical de sete fotos lado a lado, de corpo inteiro, mostrando corredores de atletismo masculinos de elite, cada um em ação ou posando com sua roupa de corrida e número de identificação na pista. Na ordem da direita para esquerda estão Usain Bolt, Wayde van Niekerke, David Rudisha, Hicham El Guerrouj, Joshua Cheptegei, Yomif Kejelcha e Sabastian Sawe


Em 2019, escrevi este post sobre o pace dos recordes masculinos das provas de atletismo de pista. E o que é "pace" ? Pace é o tempo gasto para percorrer um quilômetro. Quanto menor o pace, maior é a velocidade para completar a distância. E por padrão provas mais curtas tem maior velocidade. Através da análise do pace é possível perceber o quanto um recorde pode ser baixado principalmente nas corridas mais longas, pois nas corridas curtas, que tem distâncias menores que um quilômetro essa análise não tem muita importância. Porém nesta proposta as distâncias curtas são colocadas para fins de comparação. 

Resolvi atualizar o post pois houve mudanças em todos os recordes das provas a partir dos 5000m. Houve até recordistas da meia maratona e da maratona que não vão aparecer no gráfico atual pois suas marcas mesmo sendo marcas expressivas foram ultrapassadas. A segunda razão é que os gráficos e imagens foram geradas por IA, que torna trabalho mais rápido.

Novamente os dados foram obtidas no site da World Athletics (antiga IAAF) que é a entidade que controla o atletismo mundial. Eis o link dos atuais recordes mundiais, alguns recordes recentes ainda precisam ser homologados e estão marcados com *. 

O atleta etíope Yomif Kejelcha correndo em direção à linha de chegada na edição de 2026 da meia maratona de Buenos Aires, vestindo regata lilás e shorts roxo.
A lista dos recordistas conta com o jamaicano Usain Bolt (100 e 200m), o sul-africano Wayde Van Niekerk (400m), o queniano David Rudisha (800m), o marroquino Hicham El Guerrouj (1500m), ugandense Joshua Cheptegei (5000 e 10000m), o etíope Yomif Kejelcha e o queniano Sabastian Sawe, estes três últimos estão na ativa e no auge, podendo ainda baixar uma das marcas.  

Aqui vai uma atenção especial ao etíope Yomif Kejelcha, que corria provas  de 5000 e 10000m, mas recentemente correu sua primeira maratona e conseguiu basicamente o segundo melhor tempo da história e abaixo de 2 horas (1h:59m:41s) que é uma marca que vinha sendo perseguida ao longo dos anos, inclusive com iniciativas com grandes corredores para se conseguir ficar abaixo das 2h. Pois o Kejelcha conseguiu junto com o recordista mundial na Maratona de Londres de 2026. Pois bem correndo em Buenos Aires na Argentina, no dia 23/08/2026, Kejelcha fez a melhor marca da meia maratona. Ou seja como se costuma dizer ele está "on fire". 

Apresento os dois gráficos para fins de comparação, sendo o segunto o mais atual com os recordes mais recentes.
Gráfico de linha intitulado 'Pace dos recordes por provas de atletismo', mostrando a progressão do tempo de acordo com a distância percorrida, de 100 metros até a maratona. Cada ponto exibe a foto, bandeira e nome do atleta recordista: Usain Bolt nos 100m e 200m, Van Niekerk nos 400m, Rudisha nos 800m, Guerrouj nos 1.500m, Bekele nos 5 km e 10 km, Kiptum na Meia-maratona e Kipchoge na Maratona.
Gráfico de 2019 - Clique para ampliar




Gráfico de linha intitulado 'Pace dos recordes por provas de atletismo', mostrando a progressão do tempo de acordo com a distância percorrida, de 100 metros até a maratona. Cada ponto exibe a foto, bandeira e nome do atleta recordista: Usain Bolt nos 100m e 200m, Van Niekerk nos 400m, Rudisha nos 800m, Guerrouj nos 1.500m, Cheptegei nos 5 km e 10 km, Kejelcha na Meia-maratona e Sawe na Maratona.
Gráfico de 08/2026 - Clique para ampliar


A análise dos paces de 2019 permanece e eu a trancrevo aqui atualizando somente os dados. Podemos ver que o pace sobe muito rapidamente nas provas até 1500m, porém depois dos 5000m sobe suavemente. Ou seja um atleta de alto rendimento consegue manter um ritmo de corrida tão intenso que a diferença de tempo por quilômetro não é maior que 30 segundos por quilômetro. O recordista dos 5000m corre cada quilômetro mais rápido do que o recordista da maratona somente 19 segundos. Isto ao meu ver é mérito sobre-humano dos recordistas, principalmente do recordista da maratona, o queniano Sabastian Sawe, que consegue correr cada quilômetro da maratona a 2m:50s.

Já que está mais fácil conseguir o gráfico resolvi então construir um outro para contemplar a performance feminina nas mesmas provas e tomando sempre o menor recorde. A World Athletics separa os recordes das maratonas e das meia maratonas em provas mistas (homens e mulheres correndo) ou exclusivas (somente mulheres correndo). Eis o gráfico do pace dos recordes das provas femininas de atletismo de pista.
Gráfico de linha intitulado 'Pace dos recordes femininos por provas de atletismo', mostrando a progressão do tempo de acordo com a distância percorrida, de 100 metros até a maratona. Cada ponto exibe a foto, bandeira e nome da atleta recordista: Griffith Joyner nos 100m e 200m, Marita Koch nos 400m, Kratochvílova nos 800m, Kipyegon nos 1.500m, Chebet nos 5 km e 10 km, Gidey na Meia-maratona e Chepngetich na Maratona.
Gráfico 8/2026 - Pace Feminino - Clique para ampliar

Por fim cabe mais uma análise dessa lista de recordes. No caso dos recordes masculinos, exceto os recordes dos 100 e 200m que são do jamaicano Usain Bolt, todos os demais recordes são de africanos. No caso dos recordes femininos acontece algo similar, os recordes dos 100 e 200m são da americana Florence Griffith Joyner e dos 400 e 800m pertencem a duas atletas que eram da antiga cortina de ferro. Estes são os recordes que mais tempo permanecem sem ser quebrados. E por mais que estejam aí sem serem contestados pairam certa dúvida sobre eles. Porém dos 1500m em diante todas as recordistas são quenianas e etíopes. Representando isto graficamente por país e continente temos os seguintes resultados:
 
Dois gráficos de pizza comparando a distribuição de 18 recordes esportivos: o gráfico da esquerda mostra a divisão por país, liderado pelo Quênia com 6 recordes (33,3%), seguido por Jamaica, Uganda, Etiópia e Estados Unidos (2 recordes ou 11,1% cada), e África do Sul, Marrocos, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia (1 recorde ou 5,6% cada); o gráfico da direita apresenta a divisão por continente, com a África em destaque com 12 recordes (66,7%), e América do Norte, América Central e Europa com 2 recordes (11,1%) cada.
Gráfico com percentual de recordes por país e continente - Clique para ampliar

Há alguns vídeos no Youtube que compila os recordes de pista do atletismo. Deixo abaixo um desses vídeos que já está desatualizado. Neste vídeo estão compilados os recordes das provas com barreiras e de revezamento, fica aí para conferir.



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Referências e links


sábado, 3 de fevereiro de 2024

Air - Anos 80 e muita ousadia

Eu assisti a Air em 2023, mas somente agora pude fazer este breve ponto de vista. E Air surpreendeu-me tanto pela história em si (fatos reais) mas também por ter sido muito bem produzido, mostrando com fidelidade os anos 80 com seus eventos, personagens famosos, artistas, filmes, foi como abrir uma gaveta de coisas das quais você guarda saudades.
Air conta a história do gerente de negócio da Nike - Sonny Vaccaro - interpretado por Matt Damon. Neste período a Nike não era ainda o grande sucesso de vendas, produtos e marketing que viria a ser. O filme retrata a virada. E a virada veio pela contratação única e exclusiva do maior jogador de basquete de todos os tempos - Michael Jordan. 
Não há muito o que falar sobre Michael Jordan, multi-campeão pela NBA com o Chicago Bulls e pela seleção americana de basquetebol, campeão olímpico, etc. Pois bem a Nike contratou o Jordan quando ele ainda era amador. No competitivo mercado americano as promessas são recrutadas cedo justamente para se ter a exclusividade nos anos de auge. 
E não deu outra, a Nike acertou em cheio porém o caminho foi difícil, pois havia duas grandes empresas que dominavam o mercado a Converse e a Adidas. Vaccaro primeiro ganhou a luta interna para convencer os superiores a contratar a maior promessa com exclusividade (e para isso alocar toda a verba do setor de marketing). O argumento foi simples mas difícil de ser aceito: Fazer uma única grande contratação do que várias contratações inferiores ou medíocres. A dificuldade na aceitação era que a grande contratação podia não ocorrer - ou seja era uma aposta. Vaccaro venceu esse primeiro obstáculo e depois teve que vencer o segundo que foi bem maior.

Convencer os pais de Jordan que a Nike era a melhor opção, apesar de todo o dinheiro que as grandes lhes dariam, elas não dariam a Jordan o principal lugar. Sempre havia astros veteranos que atraiam fãs e consumidores. Os grandes nomes da época eram Magic Johnson e Larry Bird para ficar nos dois maiores. Na Nike, Jordan seria única estrela. Vaccaro foi muito perspicaz para ter acesso aos pais de modo mais pessoal possível e ser transparente com eles inclusive antecipando como eles seriam tratados pelas demais grandes do mercado e não deu outra. A família Jordan teve segurança, estabilidade e vantagens contratuais nunca vistas ao assinar com a Nike. 
O grande produto da parceira foi o tênis Air Jordan que até hoje é relembrado pela foto icônica do "voo" de Jordan em direção a cesta. O contrato, o produto a campanha em são todos um caso de sucesso sem igual no mundo dos negócios que é estudado e repassado exaustivamente tanto em agências quanto no meio acadêmico. Para saber mais sobre o que veio a ser o bilionário tênis Air Jordan, clique neste link. 



Há muito o que explorar tanto da carreira de Jordan, da Nike e do contrato de ambos, porém para finalizar eu gostaria de destacar uma imagem que aparece bem no início do filme que é um quadro no qual estão publicados os princípios da Nike, abaixo os reproduzo na sua versão original:



Segue uma versão em português. Para uma análise detalhada de cada princípio visite este link.

1) Nosso negócio é mudança.

2) Estamos no ataque. O tempo todo.

3) Resultados perfeitos contam — não um processo perfeito. Quebre as regras: combata a lei.

4) Isso é tanto sobre batalha quanto sobre negócios.

5) Não presuma nada. Certifique-se de que as pessoas cumpram suas promessas. Dê impulso a si mesmo e aos outros. Estenda o possível.

6) Viva da terra.

7) Seu trabalho não está terminado até que esteja terminado.

8) Perigos: Burocracia; Ambição pessoal; Tomadores de energia VS. doadores de energia; Conhecer nossas fraquezas; Não coloque coisas demais no prato.

9) Não será bonito.

10) Se fizermos as coisas certas, ganharemos dinheiro quase que automaticamente. 

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Link do filme Air no IMDB: https://www.imdb.com/title/tt16419074/

quinta-feira, 14 de abril de 2022

O abraço

Eu podia resumir e dizer: "Abrace !" Abrace quem você ama e abrace bem. Depois de alguns abraços a pessoa abraçada poderia achar estranho o apego inesperado e você mesmo depois do terceiro veria que é "só um abraço". Sempre poderá ser só um abraço.

Mas há abraços e abraços. Há momentos entretanto que acontece "O Abraço". Em geral quando há muita tensão, questões não resolvidas, situações ansiadas. Quando acontecem esses momentos por uma estreiteza emocional, seja por ser muito jovem ou por simplesmente não saber lidar com aquele misto de emoções, as reações tendem a ser as mais variadas indo do riso ao choro passando até pelo completo atordoamento por variações bruscas de pressão.

 Bem sem exemplos fica difícil visualizar não é ? Então vamos a alguns exemplos ... 

Exemplo 1 - Este exemplo viralizou, foi espontâneo, impactante e muito fofo.

Exemplo 2 - Este foi contagiante... e todo mundo ficou emocionado.

O exemplo de decepções amorosas eu vou deixar de forma. Seria o "não abraço". Este último (quando não há correspondência entre as partes) são profundamente marcantes. São muito poderosos e há toneladas de poemas, livros, músicas e atos extremos decorrentes deles. Um momento desses pode transformar para sempre uma pessoa, a dor da rejeição, não saber lidar com o misto de emoções deixa a pessoa refratária a outros relacionamentos. Por uma traço estranho da personalidade humana esses momentos de decepção tendem a ser muito mais marcantes do que momentos bons, principalmente se referentes a nossas relações não parentais ou familiares. Mas não é disso que eu quero falar.

As relações familiares e parentais e as relações com amigos são as que rendem os melhores e mais marcantes abraços, pois são abraços comuns (em geral é possível abraçar familiares e amigos com frequência). E quando não são tão comuns adiciona-se saudade ao abraço que é uma felicidade adicional.

Não posso deixar de mencionar que C. S. Lewis em seu livro "O peso da glória", que é uma coletânea de artigos, tem um artigo homônimo em que ele tenta descrever a glória do cristão em comparação às promessas paradisíacas de diferentes religiões. Você pode pensar que a promessa aos cristãos é o paraíso, lugar de prazer e abundância, onde não haverá dor ou choro. C. S. Lewis ressalta que estas promessas não menores em relação à suprema promessa, que é ser reconhecido por Deus e ser abraçado por ele como filho amado no qual Deus Pai se deleita, da mesma forma como foi testemunhado a respeito de Jesus Cristo. Sim, para C. S. Lewis a maior promessa cristã é Deus acertar, reconhecer e orgulhar-se do cristão da mesma forma como quando um pai aceita, reconhece e se orgulha de uma criança filha sua.

 

Pois bem, creio que vi semelhança entre este momento divino de reconhecimento representado em um abraço entre duas pessoas comuns. Veja bem não é a mesma coisa, eu vi somente uma linda semelhança. A representação veio no filme Unforgiveble (2021). Os roteiristas Peter Craig, Hillary Seitz e Courtenay Miles conseguiram o feito ao esconder na trama do filme o momento em que uma condenada por assassinato de policial busca rever a irmã após ficar 20 anos na cadeia. Para realidade americana, um condenado em um caso de assassinato de policial ter sido sentenciado a 20 anos de cadeia é uma raridade, normalmente é condenação é de morte ou de prisão perpétua. Mas por atenuantes neste filme específico a protagonista foi libertada em condicional. Sandra Bullock faz o papel de Ruth Slater, órfã que criou a irmã (igualmente órfã) de 5 anos, quando o assassinato ocorre e suas vidas são mudadas. Ruth é presa e condenada. Katherine é encaminhada para sistema de adoção e não tem mais nenhum contato com Ruth. 

Após 20 anos de cadeia, Ruth tem um recomeço difícil em liberdade condicional e inicia uma luta para rever a irmã. Ruth tem uma rotina difícil para trabalhar e se manter. Apesar de todas as dificuldades, Ruth ainda sofre com a perseguição dos filhos do policial morto.

Para chegar ao dito abraço, "o abraço", e não dar muitos spoilers, então no final do filme - Katherine - irmã de Ruth (agora com mais de 25 anos, da qual foi separada aos 5 anos e que não teve mais nenhum contato com ela) é levada a ficar em no mesmo espaço aberto em que Ruth está. Katherine a vê, e sem que ninguém diga nada, Katherine se dirige a Ruth... numa cena tocante mas sem exageros, Katherine a reconhece e espontaneamente caminha até ela e a abraça com um abraço do tipo que desmonta, que desestabiliza e que realiza. Este momento é um plot twist sem igual. É a coroação de um esforço gigantesco de Ruth para ter um mínimo de vida que havia perdido.  

Ao ver o abraço final em Unforgivable, eu só pude ir abraçar os meus e lembrar que nossa vocação maior que é: um dia que não sabemos quando, mesmo em meio a lutas que podem nos destruir e esmagar, e  apesar de nossos erros e falhas, ansiamos, pelos méritos do sacrifício de Jesus, ser vistos por Deus e ser abraçados por ele como filhos amados nos quais ele se apraz.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

The Beatles: Get Back


 


Fazendo uma pequena introdução, eu nunca fui fã dos Beatles. Como todos, eu sabia da importância histórica da banda no contexto da música mundial, porém conhecia pouquíssimas músicas, e gostava de verdade somente de uma: Don’t Let Me Down.
 
Até quando assisti a Série Documental Get Back, disponibilizada exclusivamente no Disney +. Como leigo em matérias de Beatles , eu não sabia da produção , tampouco da disponibilização da mesma nesse serviço de streaming, sendo que achei por acaso procurando algo interessante para assistir.
 
Como a série é longa, sendo que os capítulos chegam a ter pouco mais de duas horas e meia, fui assistindo com calma o que ali era mostrado.
 
Resumidamente, foi pego um material bruto de mais de 50 horas de gravações realizadas em 1969, onde o grupo britânico iria produzir um novo álbum e um filme ou um especial de TV.
Em 1970, fora lançado um filme com este material (chamado de Let it be), mas além ter apenas 80 minutos de duração, o enfoque do mesmo era mais pelo lado negativo (brigas e discussões), já que em 1970 os Beatles se separaram e o grupo acabou.
 
Com isso, o diretor de cinema Peter Jackson ( o mesmo da trilogia Senhor dos Anéis), aceitou pegar esse material bruto e fazer um novo filme, com um enfoque mais real, não somente nos desentendimentos , mostrando que   banda ainda tinha momentos bons.  Porém com a situação da pandemia e todos os cinemas fechados, mudou-se o tipo de mídia e resolveu-se produzir uma série documental, lançando-a diretamente no Disney +
 
A série é longa, com capítulos de até duas horas e quarenta minutos e talvez para quem não é fã, pode ocorrer de em alguns momentos o que está sendo mostrado não é interessante ou chato, mas talvez se você fizer como eu, dividir em pedaços menores e assistir aos poucos, a série mostra-se extremamente interessante e histórica.
 
As gravações foram feitas no estilo “Big Brother”, gravando sem parar, inclusive com a presença de microfones escondidos, que acabaram captando uma briga histórica entre Paul e John Lennon, a respeito do abandono da banda por parte de George Harrison.Momento esse inclusive que acabou sendo foi gravado!
 
Os Beatles na época era uma das maiores, se não a maior banda do mundo, então é muito interessante ver como eles se comportavam diante disso, lendo as notícias dos tabloides ingleses, e rindo dos “absurdos”. Para quem gosta de música, também é muito interessante como é feito o trabalho de composição de uma música, escolhendo as palavras para fazerem os versos, a escolha dos arranjos.... São muitos momentos interessantes mostrados, como a criação de Get Back, a presença de familiares nas gravações, a chegada do  Billy Preston para tocar o piano elétrico , etc
  
O documentário é dividido em três capítulos, os dois primeiros nos dois estúdios usados para fazerem o novo disco, e o último capítulo, o famoso show da banda no alto do prédio da gravadora, em Londres. Esse show  em cima do prédio é famoso pelo inusitado, e por ser a última apresentação pública dos Beatles, já que depois desses acontecimentos a Banda acabou.
 
Sobre os Beatles em si, o que mais me chamou atenção foi Paul McCartney. Achei que ele estava mais focado em terminar aquele trabalho, além de aparentemente estar liderando essa fase final do grupo. Inclusive mostra ele visivelmente emocionado quando percebe que o grupo está acabando, no dia seguinte do abandono das gravações por parte do George e da ausência do Jonh Lennon (ele rotineiramente estava chegando atrasado nas gravações). Paul diz para Ringo que eram quatro, e agora são somente dois.

O Filme trás muito material inédito até para os fãs , inclusive vi um deles falando que muitos livros sobre os Beatles terão que ser reescritos. Sobre a qualidade de som e imagem, estas são irretocáveis: Difícil de acreditar que essas imagens tem mais de 52 anos! Imagens excelentes com qualidade 4k. O trabalho de edição também é primoroso, além de áudio 5.1.
 
No final, ficou em mim aquela pontinha de tristeza pelo fim da banda. Acho que os egos poderiam ter sido administrados e a banda poderia ter durado mais. A tristeza também veio por imaginar que outras bandas que eu gosto, poderiam ter um documentário assim....Só mesmo um sonho meu, pois sei que é impossível!
 
Então, se tiverem oportunidade, assistam Get Back. Se acharem longo demais, assistam somente o último capítulo. Com certeza será um excelente entretenimento.





 

 

 

 

domingo, 28 de novembro de 2021

As 17 equações de Ian Stewart

Todo livro que aborda temáticas científicas, principalmente as que envolvem aspectos matemáticos um pouco mais avançados, tem que se propor a simplificar para conquistar o máximo de público. Esses livros terminam tendo uma vocação de iniciação científica e alguns viraram best-sellers tais como o "Uma breve história do tempo" de Stephen Hawking e "Cosmos" de Carl Sagan. Porém nenhum desses dois se aprofundam nos conceitos matemáticos. Livros de Química e Biologia em geral tem públicos muito específicos, os de Biologia são mais abrangentes pois conseguem tocar em temas mais atraentes, já os Física tem bastante apelo mesmo não conseguindo fugir totalmente da Matemática, tendo que abordá-la en passant. A título de exemplo, li Antifrágil de Nassim Taleb (apesar de não ser sobre Química, Biologia, Física ou Matemática) e ele deixa bem claro que a parte matemática mais avançada está detalhada em alguns capítulos e que o leitor pode evitar sem perda do entendimento dos assuntos abordados. Este aviso é porque ele não conseguiu deixar a parte de cálculo no nível de entendimento mais geral.

Já os livros sobre Matemática não tem como fugir de conceitos e cálculos, mas ainda assim os autores são criativos e conseguem apresentar o conteúdo de modo lúdico. Mesmo não listando todos e os melhores já escritos, posso citar alguns que já li: "O homem que calculava", de Malba Tahan, "O diabo dos números" de Hans Magnus Enzensberger, "20.000 léguas matemáticas", de A. K. Dewdney.

Já as "17 equações que mudaram o mundo" de Ian Stewart "mergulha" na Matemática, tentando uma boa narrativa para apresentar os conceitos didaticamente. O autor porém não faz feio e recorre a uma poderosa ferramenta de ensino - a história. Ian Stewart conta na medida do possível o que significa a equação, porque a equação é importante e o que se desenvolveu através da equação. Apesar de cada uma das equações ter origem e contexto no qual se desenvolveu, quase sempre suas consequências maiores se deram em áreas diferentes daquelas que originalmente foram deduzidas, como foram as equações de onda e a Transformada de Fourier. 

A Transformada de Fourier foi originalmente proposta para tratar do comportamento do calor em relação ao tempo porém a versatilidade da equação extrapolou e hoje tem uso amplamente difundido para processamento de imagens, compressão de dados, tratamento de áudio, análise de terremotos e de estruturas moleculares tais como a do DNA.

Ian Stewart deixa claro que as 17 equações não são unânimes, são 17 equações que ele escolheu - seja por questão editorial, seja por condições de comunicação. Todas porém tem sua importância cumulativa, contribuindo para o avanço da humanidade em amplas áreas. Com certeza cada um de nós teria suas equações mais significativas e que nos acompanham no dia a dia. Ao meu ver o que chamamos Teorema de Pitágoras (ou Teorema Gougu - a equação era conhecida dos indianos, mesopotâmios e chineses antes de Pitágoras) é a mais popular equação matemática e de amplo uso. 

Todas as 17 equações são famosas, mas quero destacar a última equação abordada pelo livro - a equação de Black-Scholes. 


Esta equação se propõe a: "descrever como o preço de um derivativo financeiro varia com o tempo, com base no princípio de que quando o preço está correto, o derivativo não traz risco e ninguém pode lucrar vendendo-o a um preço diferente". Ela envolve cinco grandezas distintas: o tempo t, o preço S da mercadoria, o preço V do derivativo, que depende de S e de t, a taxa de juros livre de risco (o juro teórico que pode ser gerado por um investimento com risco zero, tal como letras do governo) e a volatilidade σ² da ação.

Pois bem, a vida de milhões de pessoas foram afetadas pela crise do subprime de 2008, graças ao uso ganancioso, desmedido e criminoso desta equação. A crise do subprime de 2008 foi de alcance mundial e está amplamente abordada em filmes, documentários e livros (lista no fim do post) que analisam sua origem, seu desenvolvimento até seu auge. A crise foi provocada pela crescente oferta de derivativos no mercado de capitais. Derivativos são contratos que derivam a maior parte de seu valor de um ativo subjacente, taxa de referência ou índice. O ativo subjacente pode ser físico (café, ouro, etc.) ou financeiro (ações, taxas de juros, etc.), negociado no mercado à vista ou não (é possível construir um derivativo sobre outro derivativo). Os operadores do mercado financeiros (bancos e corretoras em sua maioria) sempre buscaram a minimização de regulação por parte dos governos e tiveram as regulações diminuídas no governo de George W Bush (2001-2009). As empresas financeiras puderam pois operar recursos que não tinham a níveis altíssimos criando uma bolha financeira insustentável. Como era de se esperar a bolha estourou, muitas instituições quebraram, uma grande crise se interpôs, determinando perda de empregos, perca de capacidade financeira das pessoas ao redor do mundo. E o pior de tudo é que os principais culpados não foram devidamente punidos. Por fim os operadores financeiros alegaram que precisavam das regulações que foram revogadas e jogaram a culpa no governo que as removeu.

Voltando ao que nos interessa a equação de Black-Scholes deu o substrato matemático para a oferta de derivativos e criou uma onda financeira que avançou pelo mundo afora despertando a ganância que há nas almas para ganhar dinheiro rápido e fácil. Essa onda avançou pelos países em tempos de diferentes. Aqui no Brasil explodiu com a tríade de 1. acesso facilitado ao mercado de capitais via internet; 2. Fintechs, corretoras e robôs de investimentos; 3. Oferta de trabalho de trader. Essa combinação usada de modo indevido pode levar a subversão da vida de qualquer pessoa empregada ou não que vá desavisadamente descendo ao abismo das ofertas de ganhos fáceis. É um caminho que muitos entram e poucos vencem.

Então essa equação teve todo este destaque pelo mal que se sucedeu ? Não ! A equação de Black-Scholes foi concebida para propiciar um grau de racionalidade ao mercado de futuros, e efetivamente o faz em condições de mercado normais. Ela provê um modo sistemático de calcular o valor de uma opção antes que ela amadureça. Se utilizada com critério e cautela, funciona corretamente, dando os resultados esperados. 

O que nos leva ao aspectos de que as equações matemáticas não trazem só benefícios, ações erradas podem ser tomadas e prejudicar a todos, espera-se que no longo prazo o melhor uso se estabeleça gerando benefícios amplos e difusos.

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Artigo da Wikipedia sobre Ian Stewart e sua lista de trabalhos e livros publicados.

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Lista sobre a crise do subprime de 2008:

Documentários: Collapse (2009), The last day of Leahman Brothers (2009), Inside Job (2010),  The flaw (2011).

Filmes: The Company Men (2010), Margin Call (2011), Too Big to Fall (2011), The Big Short (2015).

Somente alguns livros sobre o tema (títulos originais, para versão em português busque na internet): Freefall de Joseph Stiglitz (2010), The Big Short de Michael Lewis (2010), Bailout de Neil Barofsky (2012), Diary of a Very Bad Year (2010), This Time Is Different de Carmen Reinhart, Debt: The first 5,000 Years de David Graeber (2014), Union Atlantic de Adam Haslett (2010), The Financial Lives of the Poets de Jess Walter (2009), The Grief of Others de Leah Hager Cohen (2011) e The Privileges de Jonathan Dee (2010).

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Ateus avisam: o declínio do Cristianismo está prejudicando a sociedade


Texto originalmente publicado em inglês no site da LifeSiteNews neste link  por Jonathon Van Maren

Achei muito interessante o texto e o publico traduzido para o português.

4 de novembro de 2019 - Apenas alguns anos atrás, o movimento agressivo “Novo Ateísmo” estava em marcha, com lutadores retóricos como Christopher Hitchens e biólogos renomados como Richard Dawkins liderando a acusação contra a religião e os últimos vestígios da fé cristã no Ocidente. A Hitchens em sua famosa frase declarou , "A religião envenena tudo" e só poderia ser considerada, na melhor das hipóteses, a "primeira e pior" tentativa da humanidade de resolver questões existenciais. Se essas superstições cobertas de teias de aranha pudessem ser destruídas pelos ventos refrescantes da razão e do Iluminismo, uma sociedade fundamentalmente melhor surgiria das cinzas - ou assim foi o que ele pensou.

Mas, à medida que o Cristianismo se desvanece cada vez mais no espelho retrovisor de nossa civilização, muitos ateus inteligentes estão começando a perceber que o Iluminismo pode ter alcançado sucesso apenas porque exerceu influência sobre a cultura cristã. Em uma sociedade verdadeiramente secular, na qual homens e mulheres vivem suas vidas sob céus vazios e esperam ser reciclados, em vez de ressuscitados, não há fundamento moral sólido para o bem e o mal. Antiteístas como Christopher Hitchens zombavam e insultavam a ideia de que a humanidade precisava de Deus para saber o que é certo ou errado, mas mal passamos duas gerações de nossa Grande Secularização e nem mais distinguimos o homem da mulher.


Seria interessante saber como o falecido Hitchens teria reagido às insanidades que proliferaram desde sua morte e se ele perceberia, como alguns de seus amigos igualmente sem Deus, que não é necessário achar o cristianismo crível para perceber que é necessário. Douglas Murray, que ocasionalmente se intitulou "ateu cristão", discutiu publicamente com o colega de Hitchens, "Cavaleiro do Apocalipse" Sam Harris, sobre se uma sociedade baseada nos valores do Iluminismo é possível sem o Cristianismo. Harris espera que essa sociedade seja possível. Murray é simpático, mas cético.

Murray admitiu cada vez mais que ele acredita que o projeto ateu é um projeto sem esperança. Quando ele se juntou a mim no meu programa recentemente para discutir seu último livro "The Madness of Crowds", ele reiterou que acredita que, na ausência da capacidade dos secularistas de elaborar a ética em questões fundamentais, como a santidade da vida. Podemos ser forçados a reconhecer que voltar à fé é a melhor opção disponível para nós. Há uma possibilidade muito real, observou ele, de que nosso conceito moderno de direitos humanos, baseado em valores judaico-cristãos, possa muito bem sobreviver ao cristianismo por apenas alguns anos. Isolada da fonte, nossa concepção de direitos humanos pode murchar e morrer muito rapidamente, deixando-nos nos remexendo em uma escuridão espessa e impenetrável. 

Sem os fundamentos cristãos de nossa sociedade, cabe a nós decidir o que é certo e errado e, como ilustram claramente nossas guerras culturais atuais, nossa civilização se despedaçará antes de recuperar o consenso. Muitos ateus otimistas acreditavam recentemente que, uma vez que Deus fosse destronado e banido, poderíamos finalmente viver como adultos e continuar o projeto utópico de criar uma sociedade baseada na fé em nós mesmos. Infelizmente, esses céticos eram céticos em relação a tudo, exceto à bondade da humanidade, apesar de não terem base metafísica ou mesmo darwiniana para essa suposição facilmente reprovável. A popularidade fenomenal de Jordan Peterson é parcialmente baseada em seu reconhecimento de que as pessoas geralmente não são boas e o século passado prova isso com o sangue de milhões.

É o abjeto fracasso desta tese que está levando alguns ateus proeminentes a admitir relutantemente que talvez o Cristianismo fosse mais necessário do que eles pensavam. Em 2015, Richard Dawkins (autor de "Deus um delírio") argumentou que as crianças precisavam ser protegidas das visões religiosas de seus pais e fez uma série de comentários alarmantes sobre os direitos dos pais de educar seus filhos nos princípios de sua fé religiosa. Em 2018, no entanto, Dawkins estava avisando que a "religião cristã benigna" poderia ser substituída por algo decididamente menos benigno e que talvez devêssemos dar um passo para trás para discutir o que poderia acontecer se os secularistas evangélicos tivessem sucesso em destruir ou banir o Cristianismo. Outros ateus e agnósticos, de Bill Maher a Ayaan Hirsi Ali, ecoaram os sentimentos de Dawkins. Essa é uma mudança radical em apenas alguns anos - e o fato de os ateus estarem soando o alarme deve ser um aviso aos cristãos sobre as consequências de nossa secularização em curso.

Dawkins saiu agora e repudiou sua crença anterior de que o Cristianismo deveria ser banido da sociedade ainda mais firmemente. De fato, ele disse ao Times, acabar com a religião - uma vez seu objetivo fervoroso - seria uma péssima ideia, porque "daria às pessoas uma licença para fazer coisas realmente ruins". Apesar do fato de Dawkins argumentar há muito tempo que o Deus da Bíblia, como ser essencial para base da moralidade, é uma ideia ridícula e ofensiva, ele parece estar voltando atrás. "As pessoas podem se sentir livres para fazer coisas ruins porque sentem que Deus não as observa mais", disse ele, citando o exemplo das câmeras de segurança como um impedimento para furtos em lojas. É de se perguntar se ele ouviu Douglas Murray lembrar às pessoas que os soviéticos assassinaram milhões na firme convicção de que não havia um juiz esperando por eles quando o assassinato terminou.

Dawkins discute essas ideias ainda mais em seu livro mais recente, Outgrowing God (algo como Superando Deus). "Irracional ou não, infelizmente, parece plausível que, se alguém acredita sinceramente que Deus está observando todos os seus movimentos, é mais provável que ele seja bom", confessou, relutante. “Devo dizer que odeio essa ideia. Eu quero acreditar que os humanos são melhores que isso. Eu gostaria de acreditar que sou honesto se alguém está assistindo ou não. ”Embora essa percepção não seja uma razão suficientemente boa para ele acreditar em Deus, diz Dawkins, ele agora percebe que a afirmação da existência de Deus beneficia a sociedade. Por exemplo, Dawkins admitiu: "Isso pode reduzir o crime".

A conversão de Dawkins à crença de que o Cristianismo é bom - e talvez até necessário - para que a civilização ocidental funcione em harmonia não deixa nada a desejar. Dawkins tem sido um dos fundamentalistas mais intolerantes do secularismo, um homem que acreditava que os pais deveriam ter o direito de transmitir sua fé e que o governo deveria apoiar ativamente os ímpios sobre os fiéis. Em poucos anos, ele está mudando de ideia. Parece que os seres humanos reconhecem que não se pode confiar automaticamente em ser bom e operar no espírito de harmonia e solidariedade que ele e seus colegas novos ateus prezam. E, na ausência da bondade inerente à humanidade, como podemos contar com as pessoas para não destruir uma civilização construída por homens e mulheres de fé?

A resposta é simples: precisamos de Deus.


Links:
Texto original: Site Lifesitenews 
Twitter do autor: Jonathon Van Maren
Christopher Hitchens e seus amigos cristãos 
Douglas Murray apresenta seu livro no The Van Maren Show
Dawkins afirma que as crianças precisam ser protegidas da religião
Dawkins avisa sobre o Cristianismo benigno
Dawkins fala ao The Times

Livros: 
"Madness of Crowds" de Douglas Murray
"Deus um delírio" de Richard Dawkins
"Outgrowing God" de Richard Dawkins

quarta-feira, 26 de junho de 2019

O poder do hábito

O livro de Charles Duhigg - "O poder do hábito - Porque fazemos o que fazemos na vida e nos negócios", publicado pela editora Objetiva, foi publicado em 2012. Charles Duhigg é um escritor premiado americano. Ganhador do prêmio Pulitzer em 2013 por uma série de 10 artigos nas práticas de negócio da Apple. Duhigg publicou ainda outro livro - "Mais Rápido e Melhor: Os segredos da produtividade na vida e nos negócios".

Como o livro foi publicado em 2012 e é sem dúvida um ótimo livro. Duhigg é muito criterioso e há muita documentação fundamentando tudo que é afirmado. O livro tem 81 páginas só com as notas de referências sobre o que é dito no texto. Assim sendo há várias resenhas sobre o livro. As resenhas ressaltam ideias fundamentais do livro - o loop do hábito e os hábitos angulares ou hábitos mestres. Aqui neste vídeo tem, ao meu ver, o melhor resumo do livro.


Para eu não repetir o que já foi dito vou abordar outros aspectos do livro que não vi nos resumos.
1. O livro tem 9 capítulos. Nos três primeiros capítulos, é abordado os hábitos dos indivíduos. Nos 4 capítulos seguintes é abordado os hábitos das organizações. E nos 2 capítulos finais são abordados os hábitos das sociedades.

2. Não encontrei detalhamento da parte dos hábitos das organizações então vale destacar os "cases" de organizações. Vale mencionar os hábitos dos AA com seus 12 passos que mesmo sendo contestado - seja pelo teísmo congênito seja por ter admitir questões incômodas como a impotência diante do vício seja por ter admitir falhas - os 12 passos são muito eficientes na medida em que dá um roteiro simples e viável e outro ponto é a força advinda do grupo. A história dos AA é apresentada e do meu ponto de vista é impossível que o fundador do movimento, Bill Wilson (um adicto) tenha simplesmente criado o método do nada, sem bagagem acadêmica, nem suporte de instituições nos idos de 1930. Para mim ele foi iluminado, pois para desespero de humanistas o método é eficiente para milhões de pessoas ao redor do mundo tanto que o modelo foi replicado para outras adicções (narcóticos, sexo, etc).

3. Outras instituições (Rhode Island Hospital e Metrô de Londres) são abordadas destacando situações de crise. As situações de crise se tornam oportunidades para melhorar e definir um código comportamental que estabelece uma relação saudável entre os colaboradores dessas instituições.  

4. Outro ponto importante é que em vários dos cenários apresentados a temática da força do hábito é totalmente alienígena, não há consciência do poder do hábito, não há direcionamento baseado nos estudos que fundamentam o tema do livro, o mérito de Duhigg foi juntar os eventos e verificar que a dinâmica do hábito estava lá. Mas os personagens destacados no livro não sabiam... nem Claude Hopkins do caso da Pepsodent, nem Bill Wilson dos AA, nem Paul O'Neill na Alcoa, nem Howard Schultz da Starbucks, nem Desmond Fennel, investigador especial do incêndio da estação King Cross do Metrô de Londres, nem Andrew Pole da Target, Steve Bartels da Arista Records, nem Rick Warren da Saddleback Church nem Rosa Parks da comunidade negra de Montgomery, Alabama quando em 1º dezembro de 1955 foi presa e uma escalada de eventos levou a um boicote de mais de 1 ano aos ônibus públicos da cidade mas eles conseguiram e Duhigg conseguiu ver o padrão.


domingo, 12 de maio de 2019

O pace dos recordes das provas de atletismo



As provas de atletismo (corridas) apesar de competições primordialmente individuais (os revezamentos são coletivos) são muito atrativas às pessoas comuns devido sua simplicidade e acessibilidade. Basta haver um local, um calçado adequado e vontade de correr. 

É uma atividade saudável e lúdica que se feita obedecendo aos cuidados necessários dá ótimos resultados. Tenho visto na cidade a crescente quantidade de pessoas que estão caminhando, trotando ou correndo em espaços públicos. O pessoal está suando cedo da manhã, em períodos mais quentes, nos fins de tarde e à noite. Além disso muitos estão se exercitando com ajuda de profissionais, treinadores, grupos de corrida, etc. Enfim é uma área em efervescência.  

Pela internet, como excelente concentradora de informações, é possível acompanhar as principais provas do mundo, mesmo as não olímpicas. Há canais que transmitem provas relativamente longas como as maratonas e muitos canais em que produtores de conteúdo comentam os desempenhos dos principais atletas. Nesta linha fiquei curioso sobre os atuais recordes mundiais e encontrei neste link da IAAF (International Association of Athletics Federations) a lista de todos os recordes de corridas, inclusive de provas pouco faladas como os recordes de 1 milha e de 1 hora. 

A lista conta com os monstros do atletismo como o jamaicano Usain Bolt, o queniano David Rudisha, o marroquino Hicham El Guerrouj e o todos muito experientes, alguns já aposentados, e aqueles que ainda estão na ativa e no auge como o sul-africano Wayde Van Niekerk, o etíope Kenenisa Bekele e o queniano Eliud Kipchoge. 

Aproveitei e coloquei num gráfico os tempos dos recordes das provas olímpicas. O gráfico não ficou muito bom pois o tempo do 100m é representado por aproximação. Mas o que eu procurava mesmo era tentar encontrar a relação de constância de ritmo desses tempos. Os atletas normalmente ao tratar da velocidade falam de "pace" da corrida. Pace é o tempo gasto por quilômetro percorrido.  

O pace de diferentes provas deverá se aproximar nos tempos recordes. A proximidade do pace de diferentes corridas mostra o quanto um recorde pode baixar. No gráfico abaixo veja que o pace das corridas de menor distância são claramente aproximados porém eles tendem a se afastar conforme aumenta a distância.

Clique para ampliar


Podemos ver que o pace sobe muito rapidamente nas provas até 1500m, porém depois dos 5000m sobe suavemente. Ou seja um atleta de alto rendimento consegue manter um ritmo de corrida tão intenso que a diferença de tempo por quilômetro não é maior que 30 segundos por quilômetro. O recordista dos 5000m corre cada quilômetro mais rápido do que o recordista da maratona somente 22 segundos. Isto ao meu ver é mérito sobre-humano dos recordistas, principalmente do recordista da maratona, o queniano Eliud Kipchoge, que consegue correr cada quilômetro da maratona a 2m:53s. Há uma forte expectativa que o tempo possa cair abaixo das 2h. O queniano participou de um evento promovido pela Nike em que fez uma tentativa de correr a maratona abaixo da marca. Infelizmente ele não conseguiu. O vídeo da tentativa está abaixo.


Porém a corrida não tem linha de chegada e já existe uma nova iniciativa chamada 1:59 para tentar quebrar o recorde. Eu sinceramente creio que o recorde será quebrado e o pace diminuído. Abaixo o vídeo do projeto 1:59

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Whiplash

É raro eu querer assistir um filme segunda vez, tive a grata surpresa de assistir Whiplash com Miles Teller no papel de Andrew Neiman e J. K. Simmons como Terence Fletcher e o prazer de repeti-lo. Assisti ao filme antes da cerimônia do Oscar e para minha surpresa o J. K. Simmons foi laureado com o Oscar de melhor ator coadjuvante, já havia levado o SAG Awards. Whiplash é um raro filme sobre jazz, um raríssimo filme ficcional sobre um baterista de jazz. O personagem de Teller é pressionado a limites extremos de excelência, extremos com os quais a maioria das pessoas não resistiria. É tão inusitado quanto tocar baixo à frente das guitarras como fazia Jaco Pastorius com a banda Whether Report. Não vi ninguém mais fazer isso.

Ficções de Jazz
Filmes ficcionais que envolvem a temática jazzística são raros eu mesmo me recordo com deleite de alguns como: Mo' Better Blues (com Denzel Washington antes de ser Malcomm X, Wesley Snipes antes de virar Blade), de La leggenda del pianista sull'oceano (com Tim Roth no papel do pianista 1900) e o também excelente Sweet and Lowdown dirigido e escrito por Woody Allen. Mas invariavelmente os filmes de jazz são documentários ou biográficos como Cadillac Records (com Beyoncé Knowles fazendo o papel de Etta James), de Ray (com Jamie Foxx no papel de Ray Charles) e Bird (com Forest Whitaker e dirigido por Clint Eastwood). 

Bateristas 
Bateristas são músicos que normalmente se destacam pouco, normalmente estão atrás dos seus instrumentos e suas performances nem sempre tem a preferência e admiração do público como um cantor, um pianista ou guitarrista tem. Você mesmo pode fazer um teste. Qual o primeiro nome que lhe vem à cabeça quando você é perguntado sobre qual baterista você conhece ? Eu particularmente me lembro do selvagem e louco Animal da banda Dr. Teeth and The Electric Mayhem dos Muppets e do excepcional Phill Collins e só. Lembro também do brasileiro Naná Vasconcelos, mas ele é mais um percussionista e não baterista. 
Animal com a banda Dr. Teeth and The Electric Mayhem

Se filmes sobre jazz são raros e quando são feitos normalmente são documentários, curtas e ou animações. Que tal uma ficção sobre um baterista de jazz levar um Oscar ? É algo bem inédito. Filmes com bateristas (drummers) como protagonistas são pouquíssimos. Encontrei somente 6, sendo dois biográficos - The Gene Krupa Story de 1959 e That Thing You Do! de 1996; dois documentários - Beware of Mr. Baker de 2012 sobre a vida de Ginger Baker, ex-baterista das bandas Cream e Blind Faith e The Savoy King: Chick Webb and the music that changed America de 2012 sobre a vida de Chick Webb; e outros dois puramente ficcionais -  The Strip de 1951 e The Jazzman de 2009. Nenhum deles com grande repercussão além de "That Thing You Do!" cuja temática é de rock e não de jazz. "That Thing You Do!" reconta a história da banda The Wonders, mas o diferencial foi o elenco que contava com Tom Hanks, Liv Tyler e Charlize Theron. 

Whiplash
Neste cenário surge Whiplash e agora com um Oscar no currículo. O que Whiplash tem que o torna tão bom ?
Em Whiplash eu vejo a busca pela excelência como a única opção. A opção pelo razoável, pela sobrevivência é a opção pela derrota. E quando a opção pela excelência parece inviável, aí então não se tem nada a perder e aqueles que não tem nada a perder se tornam perigosos.
Para ser excelente é preciso querer muito mais, querer ao ponto de se doar completamente, sacrificar tudo, ir até ao ponto de sangrar. Vemos isso em muitas situações, nos esportes, no mercado, no amor, na luta pela vida dos que amamos, enfim a luta sangrenta, ferrenha, levada a limites extremos nos encanta não importa o enredo.
Entretanto o contexto da música, da excelência musical, jazzistica e no caso de bateria nunca tinha visto. Na juventude ouvi bastante Dizzy Gillespie, Charles Mingus, John Coltrane e Miles Davis e na vida de cada um vemos a genialidade e intensidade de produzir música com o seu instrumento deixando sua marca na história. Vemos isso na vida de Ray Charles, um negro, cego que se vê como a única saída possível, tocar e fazer música como a redenção e significado de sua vida mesmo apesar de toda a adversidade.
Em Whiplash, apesar de ficção, temos esses elementos estão presentes. Terence Fletcher é o professor mais exigente do Conservatório Shafter e atrai um jovem baterista do primeiro ano - Andrew Neiman - para tocar em sua banda, a mais prestigiada do Conservatório. Andrew Neiman é recebido graciosamente, mas no primeiro ensaio leva uma sequência de bofetadas para fazer o compasso correto.
Apesar do início desastroso, Neiman não desiste e pratica ao extremo a música Whiplash, um jazz de Hank Levy. Eis aqui três execuções da mesma:

Áudio da performance da Towson State University Jazz Ensemble em 1979 numa versão mais equilibrada




Performance do The Branford Marsalis Quartet com piano, baixo, sax e bateria e o baterista numa execução eletrizante



Caravan
Neiman desbanca o baterista titular e quando começava a saborear a vitória, se vê em uma nova competição com mais outro baterista para tocar na mesma banda a música Caravan de Juan Tizol e Duke Ellington de execução mais difícil, ainda assim ele vence. Então a trama se complica quando Neiman não consegue se apresentar e é expulso da banda e ataca fisicamente a Fletcher e sua carreira acadêmica no Conservatório Shafter chega ao fim com sua expulsão da instituição. 
Neiman se vê sem rumo. Neiman tem o apoio do pai. Ele o criou sozinho. E este pai é um pai especial pois o acompanha, protege e o apoia. É um personagem de atuação discreta, mas decisiva. Por conselho do pai, Neiman depõe contra Fletcher em um processo sigiloso e este é expulso do conservatório devido seu método heterodoxo de forçar os alunos a ir além dos seus limites.

Vingança - um prato que se come frio
Neiman e Fletcher se reencontram, Fletcher está tocando e se apresentando em competições de Jazz. E atrai Neimam para uma apresentação muito importante, que pode-se dizer é uma apresentação capital para um público muito seleto onde ótimas performances serão certeza de uma carreira promissora e contratos certos e uma péssima apresentação nunca será esquecida.
Fletcher garante que Neiman dará conta do trabalho, as músicas são as mesmas da banda do Conservatório. Então temos a esperança que será o coroamento do talento de Neiman como baterista e de Fletcher como criador de excepcionais músicos. Na verdade é a vingança de Fletcher que com a banda no palco diz a Neiman que sabe que foi a acusação dele no processo sigiloso que ocasionou a sua demissão do Conservatório Shafter e comanda uma música que Neiman não conhece e nem tem a partitura.
Neiman se vê num beco sem saída ao executar a música toda errada e ao fim dela sai do palco cabisbaixo e sem esperança.

A reviravolta
 Seria um desfecho triste, o fim de qualquer ambição dele como músico. Aqui 2 coisas se destacam.
A primeira o pai que o espera fora para o abraçar e acolher. Que pai ! Que cuidado ! Que amor ! Que exemplo de companheirismo e doação. Ele abraça Neiman e então este serenamente se refaz. A segunda é o contra-ataque totalmente inesperado de Neiman. O contra-ataque daquele que nada tem a perder, pois já perdeu tudo. Neiman volta ao palco, e sem esperar por Fletcher, começa a tocar Caravan, faz uma introdução só com a bateria, e faz a banda começar a tocar com ele. Fletcher não tem saída senão execução forçada da música e a conduz inicialmente desconfortável pela situação pois o pupilo o pôs contra a parede e agora o está dirigindo. A música vai ao auge, Fletcher se vê envolvido. A música termina, mas Neiman continua num solo de bateria, uma obra-prima, intensa, contagiante que Fletcher se vê derrotado, conquistado pela execução. Neiman se exaure, baba, sangra... Neiman determina o fim de uma obra de jazz, única, improvisada, sem igual. O seleto grupo de experts da plateia, não esquecerá daquele baterista nunca mais. Veja três execuções de Caravan ... 

A execução dos compositores Juan Tizol com a Duke Ellington and his Orchestra





Caravan executada por membros da Jazz at Lincoln Center e Tomorrow's Warriors



A inspiração
Mas como no mundo da arte nada cria, toda arte de hoje é fruto da arte de ontem repaginada, misturada, refeita. Assim sendo é inegável a semelhança da insana performance do baterista real Buddy Rich com a performance do fictício Neiman faz no filme. Tire suas próprias dúvidas.


Buddy Rich em performance inspiradora


É parecido ou não é ? Depois de Whiplash, talvez a gente preste mais atenção no cara armado de baquetas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O operário

O filme "O operário" (título original: The machinist) de 2005 é dirigido por Brad Anderson (dirigiu Transsiberian) e escrito por Scott Kosar (roteirista de "The crazies"). Tem Christian Bale numa atuação soberba. Bale atuou na nova trilogia de Batman (Batman Begins, The Dark Knight, The Dark Knight Rises), além de boas atuações em "3:10 to Yuma", Terminator Salvation, Public Enemies, além de um Oscar de ator coadjuvante em "The Fighter". Porém em "O operário" Bale surpreende não só pela extrema magreza mas também pelas expressões de cansaço, exaustão e confusão que pintam um quadro assustador. Neste filme  Bale é Trevor Reznik um operário de uma fábrica que já no início do filme aparece todo machucado, levando um cadáver num tapete. A história do filme volta no tempo e mostra Reznik já bem magro. Ele relaciona-se regularmente com a prostituta Stevie, papel de Jennifer Jason Leigh e visita a garçonete Marie no aeroporto da cidade, em tese, distante do lugar onde mora e trabalha. No filme há uma repetição subreptícia de algumas cenas, além de mensagens relacionadas à trama, como o acendedor de cigarros do carro sacando, a passagem por um cruzamento e a hora "1:30". Reznik vai se exaurindo pois ele não consegue dormir. Ele simplesmente não dorme a um ano, e sempre às 1:30 ele parece mais cansado. Como não dorme ele vai limpando o apartamento de modo característico de que tem TOC (transtorno obsessivo compulsivo) porém ele também vai esquecendo coisas e vendo outras. Assim conhece Ivan, um possível colega de trabalho e graças a esse colega ele causa um acidente que provoca a perda da mão de outro empregado, com isso ele ganha a antipatia de todos os companheiros de trabalho. Como ninguém conhece Ivan, ele passa a perseguir o seu carro vermelho, no intuito de encontrar respostas. Junto a isso Reznik desconfia que alguém entrou no seu apartamento e fez um jogo da forca e o colou na porta de sua geladeira. No desenrolar do filme sobressaem referências a Fiodor Dostoiévsky. Reznik parece ler o livro "O Idiota", de Dostoiévsky. Há também semelhanças com a obra "Irmãos Karamazov" também de Dostoiévsky. Porém "Crime e Castigo", também de Dostoiévsky, é a obra na qual Scott Kosar parece ter se baseado. "Crime e Castigo" conta a história do jovem Raskólnikov que comete um assassino e se vê inviabilizado pela culpa ainda que seja tratado graciosamente por uma prostituta que o ama e cuida dele apesar de seus crimes. Reznik conta com a ajuda de Stevie que quer deixar a prostituição e viver com ele. É ela que o ajuda quando ninguém o recebe mais. Reznik chega ao extremo da perseguição a Ivan, jogando-se sobre um carro para ser atropelado e assim tentar obter na polícia informações sobre Ivan. Reznik fica em frangalhos, cheio de hematomas, mais cansado que nunca e ao reportar o acidente e informar a placa do carro de Ivan o policial diz-lhe que o carro é do próprio Reznik. Ele foge para não ser preso e tudo começa a fazer sentido. Ele encontra Ivan e numa briga termina matando-o. O filme volta a sequência do início quando Reznik tentando se livrar do cadáver de Ivan o enrola num tapete e o joga no mar, porém o cadáver sumiu. Reznik então lembra-se de tudo. A resposta para o jogo da forca é "Assassino". A garçonete Marie com quem Reznik falava no Aeroporto não existe como garçonete, mas é mãe de um garoto morto em um atropelamento no qual o motorista fugiu. O motorista dirigia um carro vermelho igual ao de Ivan. O motorista era Reznik. Assim de modo improvável toda a sua paranoia o levou a lembrar do acidente que deve ter lhe causado amnésia, mas seu corpo tinha consciência do delito e não o deixou dormir. No fim Reznik entrega-se à Polícia, confessa o crime e vai para  a cela, deita-se e dorme. Acho toda essa trama interessante não é tanto pela qualidade do ator de transformar completamente seu corpo para o papel, mas como a culpa e consequentemente a consciência dela é forte. Normalmente as pessoas inventam desculpas para seus erros e de modo assumem que estão erradas. Deliberadamente negam qualquer falha e mentem descaradamente. Como Reznik sofrem até amnésia dos erros. Mas a culpa pela morte do garoto o persegue e impregna-se ao ponto de gradativamente levar à consciência do erro. Depois de finalmente consciente ele confessa, assume o erro, então ele encontra paz.