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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A morte da Internet

O MeioBit publicou um artigo em 23/7/26  anunciando a morte da internet, mas deixou claro que é uma "teoria da conspiração". Por esta teoria a internet estaria morrendo pois a presença humana está sendo suprimida pela extrema atuação de bots e inteligências artificiais. O Nieman Journalism Lab também publicou artigo informando que muitos sites cogitam abandonar Google após queda de 40% no tráfego vindo da busca por causa das respostas geradas por IA. O artigo menciona alguns desses sites. E a situação é bem ruim, pois a queda no tráfego é gritante. E sem visitas esses sites minguam. Ambos os artigos (MeioBit e Nieman JLab) informam que a Cloudflare informou que o Google é o principal vilão da história ao vasculhar toda a rede com seus crawlers e reter os usuários quando buscam alguma informação entregando o que está sendo buscado sem remeter o usuário ao site que publicou a informação. 

O Google que abandonou seu lema - "Don´t be evil" - e adotou o - "Do the right thing". E não sei se há autocrítica interna para avaliar sua atuação. E definitivamente está tomando para si toda a internet.  Grandes sites estão sendo bastante afetados por esta nova tendência e vão reagir, mas vão vencer ou sobreviver ?

Eu nunca consegui monetizar este blog. Para isto acontecer é necessário chegar ao primeiro pagamento. Pelas regras do Google isto acontece quando pela primeira vez o valor do tráfego ultrapassa U$100. Óbvio que meus poucos escritos nunca acumularam visitas e nem o conteúdo atraiu mais gente. Resta-me escrever para mim e por hobby, pois definitivamente não tenho volume de conteúdo ou audiência. Sem falar que junto com essa retenção de usuários, os sites de vídeos amealharam grande parte da clientela de internet. O Youtube está cheio de dark channels com conteúdo gerados por IA com relativo sucesso na monetização. Então blog sem uma comunidade e sem volume não tem outro futuro, exceto pelo que já expressei - hobby. 

Entretanto eu tinha a ilusão da monetização e tempos atrás ativei todas as possibilidades de propaganda no blog pensando "Ué ! Se puder monetizar, que monetize !" mas nada mudou pois falta o principal - tráfego constante ou crescente - e alguns dias atrás fiz um acesso ao blog de uma nova máquina e qual não foi o meu desagrado em perceber que a grande quantidade janelas, propagandas, popups que eram apresentados. Ninguém em sã consciência continua ou volta a um site tão poluído de propaganda como estava este blog. 

Então eu cortei a propaganda, afinal ninguém visita e se alguém visitar que não tenha tanto desprazer ao visitar. E depois de tanto, o blog ele vai ser o que os blogs sempre se propuseram a ser: uma espécie de diário digital. E é isso. Não sei se a teoria da conspiração vai avançar e a internet vai morrer. O meu conteúdo, salvo algumas imagens que tenho usado as IA regenerativas para criar, é original e não vai nunca alcançar grande público ou ter uma clientela de nicho. É só algo para o consumo próprio. Mas gente poderosa e grande está esperneando e vai agir para diminuir essa situação bem desfavorável.

Enquanto isso o Google vai continuar a fazer a coisa certa para si próprio. Segundo o TechCrunch, 43% das respostas na Busca do Google já são AI Overviews, crescimento de 186% em um ano: os usuários também estão recorrendo cada vez mais ao Modo IA, que permite fazer buscas de maneira mais conversacional, com as visitas ao recurso aumentando cerca de 121%. É muito mais prático e usável ficar no Modo IA do que sair catando diferentes links, o Modo IA já entrega quase tudo e o usuário não vai abrir mão desta facilidade.

Penso eu que o Google deve estar ciente disto e em tese para o bem de todos ele deve aliviar a mão nessa concentração, senão a reação pode ser muito forte ao ponto de instituições de governo pretenderem quebrar a empresa em pedaços como já foi cogitado algumas vezes.

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Referências:

Meiobit - https://meiobit.com/467952/ia-papel-google-internet-morta-relatorio-cloudflare/

Niemanlab - https://www.niemanlab.org/2026/07/search-traffic-has-declined-so-much-that-some-publishers-are-considering-opting-out-of-google-entirely/

CloudFlare - https://blog.cloudflare.com/agentic-internet-bot-report/

Reddit - https://www.reddit.com/r/wikipedia/comments/1thylho/dont_be_evil_was_googles_former_motto_and_a/?tl=pt-br

TechCrunch - https://techcrunch.com/2026/07/27/googles-ai-search-is-rapidly-becoming-the-default-new-data-shows/

domingo, 7 de dezembro de 2014

Por um fio, de Drauzio Varella

Eu já havia lido "Estação Carandiru" a muito tempo atrás, recordo-me que achei muito bem escrito, com cada história cheia de realismo entremeado de peculiaridades bem simples, mas tão próximos de nós que nos transportava para aquelas cenas duras cruentas, algumas difíceis de imaginar, mas tão chocantes que nos fazia perguntar até onde o ser humano é capaz de ir em situações extremas.
Por um fio é igualmente eivado de realidade, de pormenores inegavelmente próximos de nós, porém traz a sabedoria explícita de saber que estamos indo para o fim. Fim que para alguns dos pacientes ao longo dos 40 anos de carreira do médico Drauzio Varella, é recebido das mais diferentes formas, porém nunca evitado. O livro não explica porque ele escolheu a oncologia, área em que nos anos 70 a morte era rápida e certa. Com o passar dos anos o médico passou a colher algumas vitórias, então veio a AIDS e Varella retomou sua rotina de perda de pacientes. Assim dito parece que perdia algo sem valor, mas não a perda era de vida eram com histórias e dramas e preconceito e lutas e dor muita dor. Histórias de grandeza, de mesquinharia, de ingratidão, mas também de felicidade, de sabedoria, de dedicação e amor. Varella conta que os nomes dos pacientes foram trocados, mas os relatos são tão cheios de realidade que ser impossível não haver licença poética nos detalhes, que de tantos que são, creio serem fictícios, porém dão leveza ao enredo.
Varella racionalista que é, nunca entra em questões de fé, mas relata como o câncer é democrático e a todos escolhe, de todos os tipos de crenças, ascendências, status ou conhecimento.
Também é patente a suprema satisfação de salvar uma vida. A realização e a relação de amizade que se segue, a satisfação do trabalho bem feito. Nesse sentido Varella supera toda o sacrifício e o estresse por cuidar de tantas pessoas, perder a maioria delas, mas ainda assim salvar algumas. Não há como não ter uma ponta de inveja dos médicos. Varella então é um caso mui digno, pois escolheu por duas vezes atuar com pacientes de doenças extremamente letais - o câncer e a AIDS, ambas cercadas de muita ignorância e preconceito.
O ato final do livro conta a maior das derrotas. A perda do irmão de Varella, Fernando, também médico e que trabalhou com ele por anos a fio salvando vidas na clínica dos dois. É um relato difícil, racional, detalhado de todas as decisões e tentativas, exames, tratamentos até que o câncer prevaleceu e não restou a Varella fazer a suprema vocação do médico - aliviar a dor dos doentes. 
Por isso tudo isso "Por um fio" é um ótimo livro e vale a pena ser lido.