sábado, 21 de fevereiro de 2026

Inferno - livro vs filme

Capa do livro Inferno de Dan Brown, edição em português, com ilustração de Dante Alighieri e a cidade de Florença ao fundoPôster oficial do filme Inferno, estrelado por Tom Hanks e Felicity Jones, com a torre do Palazzo Vecchio em Florença ao fundo
Capa do livroPoster do filme


Fiz leitura/escuta do livro Inferno de Dan Brown, 10 anos depois de ter assistido ao filme homônimo e baseado no mesmo livro. Tive muitas conclusões do consumo dessas obras e foram tantas que vou selecionar só o que achei mais importante. De antemão como já foi mostrado nas imagens iniciais haverão muitos spoilers. Mas convenhamos, o filme é de 10 anos atrás, o livro é mais anterior ainda, então não há muito espaço para escândalo, até porque o artigo da Wikipedia entrega quase tudo e não vai ser meu post que vai estragar a experiência de primeira leitura ou audiência.
De cara informo que a história contada no filme é diferente em muitos aspectos da trama do livro e inferior. Os problemas que há no livro são piorados no filme. Claro que a intenção é torná-lo mais atraente e os fãs talvez não achem isso ruim, mas digamos que o livro é menos pior.

O livro
Pois bem, de modo não intencional eu consumi 6 livros diferentes de Dan Brown. Posso dizer que sou praticamente um leitor cativo dos seus livros (fora o que virou filme). Mas não foi direcionado, foi pela facilidade de encontrar suas obras.
Mas as obras de Dan Brown seguem praticamente o mesmo roteiro. Normalmente o protagonista forma casal com outro personagem e saem numa desabalada caça ao tesouro a partir da interpretação e análise de pistas. Daí Dan Brown manda uma enxurrada de dados sobre os locais e obras de arte, literatura, cultura, curiosidades históricas e turísticas. E há muita gente que não se importa em que os personagens permaneçam rasos e pouco desenvolvidos sendo que há esta quantidade brutal de informações sobre locais de interesse e pessoas do passado, afinal Dan Brown tem história da arte em sua formação.  
O nosso protagonista - Robert Langdon - vai descobrindo desta vez com a ajuda de Sienna Brooks (a parceira da vez - nos outros livros ele teve outras parceiras e as histórias não se ligam uma a outra). Robert Langdon é o Harry Potter de Dan Brown. Ele está em 6 de seus livros, é professor de simbologia, e sempre tem acesso a locais históricos e sabe tudo sobre símbolos e os vilões em todas as obras sempre tem tempo de, em meio aos seus objetivos, plantar pistas que uma vez descobertas permitirão acessar outras pistas e ao final a trama toda é descoberta. Para mim isto é um grande desperdício de esforço, mas sem isso não teríamos o livro. É difícil ser autor, é fácil leitor e reclamar.
Em "Inferno" especificamente temos duas organizações (O Consórcio e a Organização Mundial de Saúde - OMS) que competem entre si para alcançar o "tal tesouro". O nome Inferno é uma referência ao Inferno de Dante, autor cuja obra "Divina Comédia" a caça ao tesouro se desenrola. O vilão - Bertrand Zobrist -  prepara uma suposta praga de alcance global e a chama de "Inferno". As pistas são baseadas na obra de Dante e são colocadas nas cidades de Florença, Veneza e Istambul
As cidades são maravilhosas e nunca as visitei mas vi alguns tours disponíveis no Youtube e as descrições que o livro faz das três incentivam a vontade de visitar.
Tour virtual sobre Veneza

O vilão é muito rico e genial, quando consegue criar uma praga e ainda assim colocar pistas em locais e coisas muito exclusivas e brincar com as palavras e enigmas. O vilão desevolve a praga com as melhores das intenções - salvar a humanidade. O livro aborda en passant a teoria malthusiana, transumanismo e até eugenia.  Zobrist é um transumanista, que acredita no aperfeiçoamento da raça humana e ao criar a praga ele está salvando a humanidade através da perpectiva malthusiana de controle da população. Inclusive no capítulo 50 ele faz metareferências a distopia do filme Logan´s Run (1976) e a "exterminar parte da população num estalar de dedos" da mesma forma que Thanos faz em Avengers: Endgame (2019).
No livro, Zobrist se suicida no início do livro e deixa sua criação para ser descoberta. Sinceramente quando ele se suicida, para mim a genialidade dele vai a zero. Ele poderia ter feito tudo o que queria e ainda assim viver discretamente, principalmente porque no livro ele se declara apaixonado por Sienna Brooks (sem revelar publicamente quem é ela) e todo soa muito falso pois ele corta relações com ela e se mata. Ele tão genial poderia ter colocado sua proposta de solução discretamente, e não ser descoberto, alcançado seus objetivos e ter ido curtir a vida com a mulher que ama. Até porque - aí vem o principal spoiler - a praga não é uma praga que mata a população e sim a "praga perfeita" que esteriliza sem danos colateriais exatamente um terço da população de modo aleatório. Claro que isso é uma baita de uma impossibilidade. Inferno então é este agente biológico que altera o DNA humano e impede a superpopulação na terra. Mas que durante todo o livro somos levados a pensar sempre na catástrofe iminente pois a liberação da praga será no dia seguinte. Os envolvidos competem entre si e próximo a iminência unem-se e cooperam, porém Sienna é quem vence a caça ao tesouro, com o objetivo pessoal de destruir o tal agente biológico para não cair nas mãos nem da OMS nem do Consórcio. Porém Sienna Brooks chega primeiro mas não leva o "prêmio". Zobrist passa a perna em todo mundo. Ele liberara o agente 7 dias atrás e o dia que ele marcou para a liberação é só para o competidores saberem que o agente está atuante e contaminou toda a população mundial. Ou seja, era preciso ele se matar ? Se ele discretamente houvesse liberado o agente que alcançou escala mundial de contaminação em 7 dias, ele poderia ficar anomimamente vivendo de sua fortuna com o amor da vida dele.
No fim Sienna é integrada a OMS, o diretor do Consórcio é preso e a OMS vai lidar com a humanidade dimuída de sua capacidade reprodutiva. Langdon ganha um beijo de Sienna no final como que oportunizando um romance que não acontece. 
A trama em si tem vários problemas mas isso é irrelevante para a base de fãs.

O filme
Se o livro que tem tempo para elaborar as dinâmicas, estabelecer os plot-twists e as surpresas, o filme padece amargamente com falta de tempo para desenvolver até a caça ao tesouro, para passar as informações de literatura, arte, cultura não dá tempo. Tudo fica mais acelerado e sem sentido mas tem a ação que diverte a platéia. No filme Sienna e Langdon desenvolvem um romance, porém Sienna está comprometida com a teoria malthusiana e concorre para a liberação da praga, que no filme é realmente uma praga danosa que causa mortes, porém no filme Zobrist não é tão esperto e a praga é contida.
Minha conclusão é: assista ao filme e/ou leia o livro sem muita exigência ou filtro pois vai estragar sua experiência como estragou a minha.

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Referências: 

O Autor Dan Brown
O filme Inferno (2016) 
Artigo sobre o livro Inferno na Wikipedia  
Artigo básico sobre a Teoria Malthusiana
Tour em Florença
Tour em Veneza
Tour em Istambul

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