domingo, 30 de janeiro de 2022

King Richard


São raros bons filmes que abordam histórias de sucesso de personalidades que ainda estão vivas. Óbvio que as histórias de sucesso de cada um são muito particulares e todas tem o seu devido valor, afinal é uma história de superação, luta, esforço, vitória e sucesso. King Richard (2021), filme protagonizado por Will Smith, conta a história de Richard Williams pai, formador, treinador, agente das tenistas multicampeãs Venus e Serena Williams.

Posso dizer que King Richard tem algumas semelhanças com The Pursuit of Hapiness (2006), lançado no Brasil como "Em Busca da Felicidade", porém uma diferença grande é que Richard Williams mostrado no filme tem 2 filhas e 3 enteadas e parece estar em melhores condições do que Chris Gardner (protagonista The Pursuit of Hapiness) que tem um só filho, casamento em frangalhos, uma esposa que o deixa com o filho menor e muitas dificuldades financeiras. 

Já as semelhanças são grandes em ambos. (1) Tenho que destacar a longevidade de Will Smith, depois de 16 anos entre os filmes ele envelheceu muito bem, ou melhor, ele envelheceu muito pouco. (2) Ambos os filmes contam histórias de triunfo sobre grandes de dificuldades. (3) Tanto Chris Gardner quanto Richard Williams lutam por suas famílias, algo que pode  passar em branco, mas que sempre toca fundo no coração das pessoas pois os familiares, principalmente os filhos, são o motivo pela luta diária dos pais. (4) Ambos precisam ter muita diligência, para continuar estudando, treinando, trabalhando, contornando os problemas para alcançar seus objetivos. E por fim para não ficar cansativo (5) eles mantém a esperança de que os resultados virão, mesmo quando ainda não tem nada de indício, é um exercício de fé e descoberta de como sobreviver às dificuldades.

Indo para o filme em si, claro que ele é uma licença poética do que de fato ocorreu. O filme só transparece o que dá para confirmar com uma busca sobre a vida de Richard Williams. No filme, Oracene (interpretado pela atriz Aunjanue Ellis) traz o teimoso Richard para o chão ao lembrá-lo dos seus vários erros e o ajuda a reconhecer que os resultados não advém somente do esforço dele, mas de um esforço da família toda. Isso acontece várias vezes no filme. 

O filme aqui e acolá é direcionado para a questão da população negra americana, mas creio que é mais para seguir a cartilha, afinal seguir cartilha garante apoio de setores importantes na América. Penso assim pois no final das contas o filme é de fato sobre construir um plano e segui-lo até torná-lo realidade. A frase que as meninas carregam - "If you fail to plan, you plan to fail" (Se você falhar em planejar, você planejou para falhar) - frase atribuída a Benjamim Flanklin - durante o treinamento é verdadeira e toda a dificuldade é seguir o plano por dias, semanas, meses, anos sem desistir até que os resultados venham. Aí está todo o mérito. 

 Porém claro a realidade é bem dura. Digo isto pois basta dar uma busca sobre Richard Williams para descobrir que ele teve um primeiro casamento no qual teve 5 filhos e 1 uma enteada que durou de 1965 a 1973, estes filhos são mencionados uma única vez no filme e não parecem ser dificuldade para ele não tê-los criado. A relação com Oracene começou em 1979 e pasmem terminou em 2002 - no filme a relação parece continuar. Eles tiveram as Venus e Serena e mais as 3 filhas de Oracene. Richard começa uma relação com Lakeisha Graham, casam em 2010, tem um filho em 2012 e separam-se em 2017. Além dos 8 filhos dessas relações, deu tempo para Richard saracotear pela vida e ter outros 2 filhos. Mas creio que não ia ficar bem no filme colocar tudo isso. O filme destaca o cuidado e o direcionamento com as duas filhas tenistas que mal ou bem tiveram pai presente e que contribuiu significativamente para o sucesso do plano, porém há outros 8 filhos e 4 enteados que não tiveram o mesmo pai ou padrasto Richard por perto, seja por que já estava velho demais, ausente ou ter se divorciado.

Mas isso não diminui o feito por ele conseguido, com certeza deve ter havido muitas brigas, muitos corações partidos, muitos traumas, insatisfações múltiplas mas ainda assim deu certo. O plano de Richard deu certo, apesar dele mesmo e por isso merece ser visto.

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Tops 2021


Mantendo a tradição do ano passado (kkkk tradição - só fiz uma vez...). Vamos ver o que houve de melhor conforme as categorias abaixo.

Top 6 melhores livros lidos em 2021.
 
As aventuras de Tom Sawyer
1. As aventuras de Tom Sawyer é um clássico da literatura, poucas publicações podem ter este status de clássico. O autor - Mark Twain - consegue falar a todos os públicos representando a vida livre e cheias de aventura e traquinagens de meninos americanos.

 Grandes Esperanças

2. Grandes Esperanças de Charles Dickens é uma daquelas obras multi-referenciadas e base de inspiração de várias outras obras e filmes. Vários filmes e remakes são baseadas neste livro que conta a história de Pip, um órfão que diante da pobreza, a falta de perspectivas é premiado com um futuro promissor. E vê-se deslumbrado diante das grandes esperanças e das dificuldades de adaptação à nova realidade.
 
 
Einstein Sua Vida, seu Universo

 
3. Einstein sua vida, seu universo - biografia de Albert Einstein, muito bem escrita por Walter Isaacson, aborda a vida do cientista desde seus antepassados até os desdobramentos de décadas após sua morte. Fiz o seguinte post sobre o livro, para ver clique aqui.
 
 Antifrágil


4. Antifrágil de Nassim Taleb é um livro de não ficção que trata da característica de todas as coisas que se fortalecem com a dificuldade e permanecem ao longo do tempo, trata das exceções, trata práticas que enfraquecem e fortalecem a vida dos indivíduos. Fiz o seguinte post sobre o livro, para ver clique aqui.
 
 
Boneco de Neve


 
5. Boneco de Neve de Jo Nesbo é um thriller policial sobre a caçada de serial killer que usa bonecos de neve para sinalizar suas ações. Há vários plot twists e gostei muito da trama do autor.

17 equações que mudaram o mundo

6. 17 equações que mudaram o mundo mostra a história da matemática focada na formulação de 17 equações que trouxeram muito do que hoje utilizamos sem sequer ligar para sua fundamentação matemática. Fiz o seguinte post sobre o livro, para ver clique aqui.
 

Top 4 melhores HQ e mangás lidos em 2021

Moby Dick

1. Moby Dick - Christophe Chabouté. Esta por sua profundidade, traço, tensão apesar de a história ser conhecida foi para mim a melhor HQ de 2021.

Uzumaki - Junji Ito
 
2. Uzumaki - Junji Ito. É um mangá denso, grande e muito bem feito com uma ótima trama, apesar do horror associado, o absurdo é tão obsessivo e envolvente que vale a experiência de leitura.

O vento que sopra os pinheiros

3. O vento que sopra os pinheiros - Zao Dao.
Impressionante trabalho da mangaká Zao Dao que construiu uma história sem textos e um traço primoroso e exuberante que compensa a falta de palavras.
 
Evaristo
 
4. Evaristo - Carlos Sampayo, Francisco Solano Lopez. Coletânea de histórias do inspetor argentino Evaristo lançado pela Figura Editora reapresenta toda riqueza do traço do ilustrador Francisco Solano Lopez. Clássico policial sul-americano.


Top 9 filmes filmes vistos em 2021
Títulos originais dos filmes com o ano da produção, porém assistidos em 2021.

1. Peçanha contra o animal (2021). Surpresa total da comédia de humor negro policial carioca, cheia de clichês e lugares comuns. Divertida e sem vergonha de ser antiprofissional e irresponsável.

2. Dune (2021). Finalmente um filme à altura da obra original. Som e imagens estupendos e pena que ficou longo e teve que ser dividido em dois.

3. Free Guy (2021). Apesar da temática meio teen e de comédia, Free Guy conseguiu de modo consistente ligar o mundo dos games e a realidade. Infelizmente pode até reforçar a alienação de tantos ao não conseguirem viver bem na realidade pura sem o mundo dos games, mas deixa bem clara a separação ao contrário de outros jogos que sugeriam uma imersão da realidade no mundo dos games.
 
4. Nobody (2021). Thriller despretensioso mas que entrega ação e plot twist na pacata vida de agente aposentado.
 
5. Gone Girl (2014). Filme de 2014 mas que assisti novamente devido a excelente trama bem executada por Rosamund Pike no papel de "amazing Amy".
 
6. Depois a Louca Sou Eu (2019). Excelente filme nacional que mesmo com a boa atuação de Débora Falabela e direção de Julia Rezende, o destaque vai para o excelente argumento de Tati Bernandi que explora as neuroses e forças da natureza que movem a protagonista em um misto de capacidade, loucura, inquietude, fragilidade e um feliz equilíbrio.
 
7. I care a lot (2020). Mais um filme com a Rosamund Pike que aborda uma vigarista que se passa por caridosa ajudando idosos. Marla Grayson rouba tão bem os idosos com ajuda de sua namorada Fran que termina sendo contratada pelos inimigos. É uma prática asquerosa de exploração mas que mostra bem como o amor ao dinheiro tira toda a dignidade humana.
 
8. Soul (2020). Soul é uma animação e consegue mesmo sendo direcionado para o público infantil, entreter diferentes faixas etárias explorando a temática da morte, talento, sonhos de vida e sacrifício.
 
9. Another Round (2020). O que acontece quando professores se tornam melhores pessoas ao desenvolverem suas atividades profissionais embriagados ? Pois bem os professores Martin, Tommy, Nicolaj e Peter entram neste caminho de alívio, leveza, relaxamento e passam a usufruir uma vida boêmia sem culpas e claro... a conta chega.

 
 Top 5 séries vistas em 2021
 
1. The Crown. Em até agora 4 temporadas a série mostra a vida da família real britânica desde pouco antes da subida ao trono da Rainha Elizabeth II. É uma série bastante fiel apesar da delicadeza do tema e do fato que parte dos protagonistas ainda estarem vivos.

2. The Witcher. A escritora Lauren Schmidt Hissrich adaptou a obra do escritor polonês Andrzej Sapkowski para produzir a série do caçador de monstros Geralt de Rívia num mundo de muitas forças lutando por poder. Há boas lutas, magia, massacres, guerras... enfim tem suas semelhanças com a realidade.

3. Fargo. As 4 temporadas de Fargo são marcadas por muito violência, luta por poder, crime e policiais persistentes fazendo seu trabalho para levar os culpados a pagar pelos seus crimes.
 
4. Futurama. As 7 temporadas de Futurama, do mesmo autor de Os Simpsons, conta com muita criatividade para misturar o futuro tecnológico da exploração espacial, invenções revolucionárias, alienígenas, práticas do passado, robôs moralmente comprometidos e estupidez humana.
 
5. Daughters of destiny. Série documental que mostra o trabalho da ONG Shanti Bhavan Children's Project que oferece educação para crianças indianas escolhidas e cobra pela educação de qualidade, pelo investimento de anos, atuação engajada dos profissionais depois de formados. Mostra que mesmo com boa educação a condição de miséria não é automaticamente desfeita e aqueles que se submetem ao programa sofrem grande pressão.
 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Uma dica de viagem : Atins - MA

 

Saiu ontem no Portal do UOL uma reportagem sobre Atins, pequeno vilarejo localizado próximo a Barreirinhas.

A reportagem encontra-se nesse link . Eu estive em Atins em 2018 e concordo totalmente com a análise feita pela reportagem, que Atins é uma Jericoacoara antiga.

 

O vilarejo possui excelentes restaurantes!

 Quando fui, fretamos um carro até Barreirinhas e ficamos lá um dia. De Barreirinhas, fomos de barco até Atins, onde  ficamos na Pousada Flamboyant . Inclusive, a indico, pois apesar de não haver grandes luxos, lá tive um excelente atendimento, além de ser bem aconchegante.

Pousada Flamboyant

De tudo em Atins,o melhor passeio que fiz foi o do Canto do Atins, lugar esse que podemos tomar banho em uma pequena cachoeira (água doce), e a poucos metros, estamos na Praia e podemos também tomar banho de mar! Fantástico! Abaixo, coloquei um pequeno vídeo  para vocês terem uma noção melhor do local.


 

Enfim, recomendo muito ir conhecer Atins, vale a pena pela simplicidade do local, onde você realmente consegue se desligar de tudo e descansar ! Talvez alguns não gostem da proposta, deste tipo de turismo, e busquem locais mais agitados. Então antes de decidirem ir, busquem informações , para assim saberem o que vão encontrar e evitar decepções ou arrependimentos.

Quando fui,  tinha uma pequena noção do que iria encontrar, e acabei me surpreendendo muito positivamente. Gostaria muito de voltar ao vilarejo, e somente não o fiz por falta de oportunidade. Mas com certeza voltarei!

 

domingo, 28 de novembro de 2021

As 17 equações de Ian Stewart

Todo livro que aborda temáticas científicas, principalmente as que envolvem aspectos matemáticos um pouco mais avançados, tem que se propor a simplificar para conquistar o máximo de público. Esses livros terminam tendo uma vocação de iniciação científica e alguns viraram best-sellers tais como o "Uma breve história do tempo" de Stephen Hawking e "Cosmos" de Carl Sagan. Porém nenhum desses dois se aprofundam nos conceitos matemáticos. Livros de Química e Biologia em geral tem públicos muito específicos, os de Biologia são mais abrangentes pois conseguem tocar em temas mais atraentes, já os Física tem bastante apelo mesmo não conseguindo fugir totalmente da Matemática, tendo que abordá-la en passant. A título de exemplo, li Antifrágil de Nassim Taleb (apesar de não ser sobre Química, Biologia, Física ou Matemática) e ele deixa bem claro que a parte matemática mais avançada está detalhada em alguns capítulos e que o leitor pode evitar sem perda do entendimento dos assuntos abordados. Este aviso é porque ele não conseguiu deixar a parte de cálculo no nível de entendimento mais geral.

Já os livros sobre Matemática não tem como fugir de conceitos e cálculos, mas ainda assim os autores são criativos e conseguem apresentar o conteúdo de modo lúdico. Mesmo não listando todos e os melhores já escritos, posso citar alguns que já li: "O homem que calculava", de Malba Tahan, "O diabo dos números" de Hans Magnus Enzensberger, "20.000 léguas matemáticas", de A. K. Dewdney.

Já as "17 equações que mudaram o mundo" de Ian Stewart "mergulha" na Matemática, tentando uma boa narrativa para apresentar os conceitos didaticamente. O autor porém não faz feio e recorre a uma poderosa ferramenta de ensino - a história. Ian Stewart conta na medida do possível o que significa a equação, porque a equação é importante e o que se desenvolveu através da equação. Apesar de cada uma das equações ter origem e contexto no qual se desenvolveu, quase sempre suas consequências maiores se deram em áreas diferentes daquelas que originalmente foram deduzidas, como foram as equações de onda e a Transformada de Fourier. 

A Transformada de Fourier foi originalmente proposta para tratar do comportamento do calor em relação ao tempo porém a versatilidade da equação extrapolou e hoje tem uso amplamente difundido para processamento de imagens, compressão de dados, tratamento de áudio, análise de terremotos e de estruturas moleculares tais como a do DNA.

Ian Stewart deixa claro que as 17 equações não são unânimes, são 17 equações que ele escolheu - seja por questão editorial, seja por condições de comunicação. Todas porém tem sua importância cumulativa, contribuindo para o avanço da humanidade em amplas áreas. Com certeza cada um de nós teria suas equações mais significativas e que nos acompanham no dia a dia. Ao meu ver o que chamamos Teorema de Pitágoras (ou Teorema Gougu - a equação era conhecida dos indianos, mesopotâmios e chineses antes de Pitágoras) é a mais popular equação matemática e de amplo uso. 

Todas as 17 equações são famosas, mas quero destacar a última equação abordada pelo livro - a equação de Black-Scholes. 


Esta equação se propõe a: "descrever como o preço de um derivativo financeiro varia com o tempo, com base no princípio de que quando o preço está correto, o derivativo não traz risco e ninguém pode lucrar vendendo-o a um preço diferente". Ela envolve cinco grandezas distintas: o tempo t, o preço S da mercadoria, o preço V do derivativo, que depende de S e de t, a taxa de juros livre de risco (o juro teórico que pode ser gerado por um investimento com risco zero, tal como letras do governo) e a volatilidade σ² da ação.

Pois bem, a vida de milhões de pessoas foram afetadas pela crise do subprime de 2008, graças ao uso ganancioso, desmedido e criminoso desta equação. A crise do subprime de 2008 foi de alcance mundial e está amplamente abordada em filmes, documentários e livros (lista no fim do post) que analisam sua origem, seu desenvolvimento até seu auge. A crise foi provocada pela crescente oferta de derivativos no mercado de capitais. Derivativos são contratos que derivam a maior parte de seu valor de um ativo subjacente, taxa de referência ou índice. O ativo subjacente pode ser físico (café, ouro, etc.) ou financeiro (ações, taxas de juros, etc.), negociado no mercado à vista ou não (é possível construir um derivativo sobre outro derivativo). Os operadores do mercado financeiros (bancos e corretoras em sua maioria) sempre buscaram a minimização de regulação por parte dos governos e tiveram as regulações diminuídas no governo de George W Bush (2001-2009). As empresas financeiras puderam pois operar recursos que não tinham a níveis altíssimos criando uma bolha financeira insustentável. Como era de se esperar a bolha estourou, muitas instituições quebraram, uma grande crise se interpôs, determinando perda de empregos, perca de capacidade financeira das pessoas ao redor do mundo. E o pior de tudo é que os principais culpados não foram devidamente punidos. Por fim os operadores financeiros alegaram que precisavam das regulações que foram revogadas e jogaram a culpa no governo que as removeu.

Voltando ao que nos interessa a equação de Black-Scholes deu o substrato matemático para a oferta de derivativos e criou uma onda financeira que avançou pelo mundo afora despertando a ganância que há nas almas para ganhar dinheiro rápido e fácil. Essa onda avançou pelos países em tempos de diferentes. Aqui no Brasil explodiu com a tríade de 1. acesso facilitado ao mercado de capitais via internet; 2. Fintechs, corretoras e robôs de investimentos; 3. Oferta de trabalho de trader. Essa combinação usada de modo indevido pode levar a subversão da vida de qualquer pessoa empregada ou não que vá desavisadamente descendo ao abismo das ofertas de ganhos fáceis. É um caminho que muitos entram e poucos vencem.

Então essa equação teve todo este destaque pelo mal que se sucedeu ? Não ! A equação de Black-Scholes foi concebida para propiciar um grau de racionalidade ao mercado de futuros, e efetivamente o faz em condições de mercado normais. Ela provê um modo sistemático de calcular o valor de uma opção antes que ela amadureça. Se utilizada com critério e cautela, funciona corretamente, dando os resultados esperados. 

O que nos leva ao aspectos de que as equações matemáticas não trazem só benefícios, ações erradas podem ser tomadas e prejudicar a todos, espera-se que no longo prazo o melhor uso se estabeleça gerando benefícios amplos e difusos.

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Artigo da Wikipedia sobre Ian Stewart e sua lista de trabalhos e livros publicados.

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Lista sobre a crise do subprime de 2008:

Documentários: Collapse (2009), The last day of Leahman Brothers (2009), Inside Job (2010),  The flaw (2011).

Filmes: The Company Men (2010), Margin Call (2011), Too Big to Fall (2011), The Big Short (2015).

Somente alguns livros sobre o tema (títulos originais, para versão em português busque na internet): Freefall de Joseph Stiglitz (2010), The Big Short de Michael Lewis (2010), Bailout de Neil Barofsky (2012), Diary of a Very Bad Year (2010), This Time Is Different de Carmen Reinhart, Debt: The first 5,000 Years de David Graeber (2014), Union Atlantic de Adam Haslett (2010), The Financial Lives of the Poets de Jess Walter (2009), The Grief of Others de Leah Hager Cohen (2011) e The Privileges de Jonathan Dee (2010).

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Formula 1 2021 - São Paulo - SP

Apesar de ter ido a São Paulo diversas vezes a passeio, confesso que a viagem de 2021 tinha um significado diferente, pois seria a primeira para fora do Maranhão desde que a Pandemia de Covid-19 se iniciou. Quem ficou realmente em quarentena  sabe que foram momentos muito difíceis e que poder novamente planejar e fazer uma viagem é algo que devemos agradecer.

Pois bem,  feita  a decisão de realizar a viagem, o primeiro passo é comprar os ingressos,pois havia o risco de acabar, já que havia uma previsão de limitação em 50% da lotação máxima do circuito (a limitação tempos depois caiu) . Desta vez, os ingressos seriam digitais, podendo ser impressos em casa. Da minha parte, achei essa sistemática muito melhor do que você ter que esperar chegar pelo correio ou ter que ir buscar em algum lugar em São Paulo. Já passei por estas duas experiências, e com certeza, o ingresso digital é muito melhor.

Ao realizar a compra do ingresso, há as opções de lugares, cada um com o seu preço conforme a localização no circuito. Por duas vezes fiquei no Setor F (Hoje é chamado de setor R), que é logo após a curva do “S do Senna”, porém das últimas vezes acabei optando por ficar no Setor A.

O Setor R é mais caro, você tem um conforto um pouco maior, pois a arquibancada é coberta, porém a visão da pista é mais limitada. O Setor A, apesar de ser mais barato, possibilita uma visão da pista muito melhor, conseguindo acompanhar o início da reta principal, final da reta oposta e uma parte do miolo do circuito, além de poder ver a entrada dos boxes e um pedaço do pódio. Na parte que não  temos a visão , há telões (nesse ano colocaram maiores), assim você não perde nada.

´Ônibus que nos levou até o setor A

Apesar de não ser coberta, a arquibancada possui sombra proveniente de várias árvores ali existentes, então dependendo do horário que você chega, dá sim para se proteger do sol. Acredito que somando-se o custo com a visão privilegiada, o custo benefício do setor A é imbatível.

Esse ano havia também o diferencial de no sábado ocorrer a Sprint Race, modalidade de classificação criada para decidir o grid de largada da corrida de domingo. A Sprint Race é uma corrida menor (A de Interlagos tinha 24 voltas), com distribuição de pontos para os três primeiros colocados. Então,  ingresso deste ano dava direito a duas corridas!

O que chamou atenção na corrida de sábado, além do show de ultrapassagens de Lewis Hamilton, foi a brusca mudança de temperatura em pouco mais de duas horas. De um sol escaldante para um vento extremamente frio, sendo que quem tinha vestiu rapidamente seus agasalhos!


No tocante à chegada ao autódromo, há diversos meios, mas o mais eficiente sem dúvida é o transporte público (seja ônibus expresso e mais ainda, o metrô). No passado , já fui de táxi até Interlagos, entretanto além de ser caro, é sujeito aos engarrafamentos ao chegar no autódromo.

Esse ano a organização resolveu não disponibilizar os ônibus expressos. Esse tipo de transporte saia de lugares pré determinados da cidade e ia diretamente, sem paradas, até o autódromo, deixando exatamente nos portões de acordo com o seu ingresso. Esse é o meio mais tranquilo e cômodo de ir, e infelizmente esse ano não existiu.

Então fomos de metrô . Eu acho o metrô de São Paulo extremamente eficiente e seguro, o único problema é que para quem não está acostumado, é um pouquinho complicado de entender as conexões e sentidos, mas nada que alguns dias de prática não resolva. Existe uma estação chamada autódromo, a qual é a que usamos para descer e ir para Interlagos. 

Acontece que o setor mais próximo da estação é o G (uns quinhentos metros). Quem fica no Setor A, tem que caminhar uns três quilômetros até o portão ,sendo que uma das ruas é uma pequena subida. Neste momento é a hora de mostrar o preparo físico!

Para ajudar nessa questão, no domingo do dia da corrida, colocaram uma linha de ônibus especial, que tinha como ponto de partida a frente da estação de trem Interlagos, e no seu percurso passaria por todos os portões de entrada de todos os setores de ingressos do circuito. Não sei se o público da corrida sabia dessa opção, pois quando entramos no ônibus, o mesmo encontrava-se praticamente vazio. Com isso chegamos rapidamente na entrada do portão A.

Parte da visão do Setor A

Esse ano, por conta da Pandemia de Covid-19, foi exigido a comprovação de vacinação . Só que diferentemente dos demais eventos, a comprovação era feita por meio de um aplicativo, onde você anteriormente tinha que se cadastrar e enviar dados da vacinação (data, número do lote, fabricante, etc), para posteriormente atualizar esse aplicativo com seus dados e usá-lo como passaporte para adentrar o circuito.

Dentro do circuito, esse ano havia mais opções de comida nas barracas para venda.A organização veta grande parte dos alimentos que você tenta levar, já ocorreu de ter que jogar fora frutas que tinha levado, mas curiosamente, nesse ano que não levei nada, a revista pessoal nem questionou nada a respeito.

Ainda sobre alimentação, agora em 2021 havia para venda churrasco (só a carne), cachorro quente, hambúrguer e pipoca. Para beber havia água (em uma caixa de papelão parecendo aquelas de suco), refrigerantes e cerveja Heineken (patrocinadora da corrida). Os preços são salgados, mas por uma tarde dá para sobreviver. Os banheiros são limpos e organizados , porém acredito que poderiam haver mais, pois em alguns momentos formavam-se filas.

Existia também algumas barracas de venda de lembranças , camisas e bonés oficiais da Formula 1 e suas equipes. Acredito que os produtos estejam cotados em Libras e convertidos para o Real, pois um boné oficial da Equipe Mercedes custava R$900 , uma camisa da Equipe Ferrari custava R$1.200. Camisas comemorativas de Ayrton Senna custavam  R$350. 

Uma das barracas de venda de artigos oficiais 

Sobre a corrida, a mesma  foi fantástica. Acho que  das que lá estive somente não foi melhor do que a de 2008 (Aquela que Felipe Massa perdeu o título na última curva da última volta), mas com certeza, esse Grande Prêmio do Brasil de 2021 (Esse ano passou-se a chamar Grande Prêmio de São Paulo) foi o mais organizado dos que eu pude estar presente.

Percebi também uma grande presença de jovens e adolescentes de ambos os sexos. Não sei se é efeito da série da Netflix “Drive to Survive”, mas com certeza, o público do circuito ficou mais heterogêneo. 

Parte de trás da Arquibancada do Setor A

No mais, foi uma experiência fantástica. Quem gosta de automobilismo , aconselho fortemente a ir pelo menos uma vez acompanhar a Formula 1 de perto. Escutar o barulho dos motores e sentir o cheiro da gasolina sendo queimada é algo que só mesmo estando lá para vivenciar.

Além disso, indo assistir a corrida , temos a oportunidade de ir a São Paulo, cidade que ao mesmo tempo que assusta, encanta pelo seu gigantismo, contradições essas que me fizeram cultivar admiração por aquela cidade. Qualquer dia eu faço um post só sobre São Paulo, que curiosamente é a cidade fora do Maranhão que eu mais visitei!

Então, é isso, abaixo vocês podem ver mais algumas fotos que tirei durante o final de semana da corrida.

Escultura presente no Setor A

Visão do Setor A

Público invadindo a pista após o término da corrida




sábado, 2 de outubro de 2021

O avanço das IAs

Eu demorei um pouquinho a voltar a escrever sobre inteligências artificiais (IA) ou como costumam abreviar no inglês - Artificial Inteligência (AI) e confesso que tenho sido atropelado pelas novidades da área que não param de pipocar. No passado escrevi esses textos sobre inteligência artificial que você pode ver clicando aqui. Nesses textos tento demonstrar a variedade das áreas de aplicação de inteligência artificial. Pois bem soluções de inteligência artificial são aplicáveis em qualquer área. Segue abaixo algumas descobertas recentes e espero que você veja valor nesses avanços. Apesar dos exemplos que apresento aqui, saiba que o uso de inteligência artificial é amplo e irrestrito.

1. Hua Zhibing. Tive muitas dificuldades de checar devido a língua mas a informação é que Hua Zhibing é uma estudante virtual da Universidade de Tsinghua. Hua Zhibing apresentou-se no vídeo abaixo na rede social Weibo. Segundo dados de outros sites listados nas referências Hua Zhibing é "viciada" em literatura e arte desde que nasceu. É baseada no sistema de modelagem Wudao 2.0. Segundo Tang Jie, um dos principais desenvolvedores, Hua utiliza 1.75 trilhão de parâmetros para simular conversas, escrever poemas e entender imagens.

 

Sendo bastante sincero a barreira da língua não permitiu coletar informações sobre como anda o desempenho de Hua como aluna, se é o orgulho dos professores ou se está levando bomba em Semiótica II. Se o objetivo principal for o aprendizado, Hua pode se aplicar 24 horas por dia sem se cansar. podemos pensar em quanto tempo ela concluirá o curso ? Para mim é bem difícil descobrir tais informações pois as fontes foram ágeis em divulgar a criação de Hua mas extremamente sovinas em dar mais detalhes de sua performance.

2. A 10ª Sinfonia de Beethoven. O Instituto Karajan da Áustria incumbiu uma comissão para desenvolver uma IA que aprenderia a obra de Beethoven, identificaria tudo sobre seu estilo e a partir dos rascunhos da 10ª Sinfonia, finalizaria sua sinfonia incompleta. Seria o que podemos apontar como o mais aproximado da sinfonia que Beethoven faria. Dúvidas... veja no vídeo abaixo.

 

Como diletante amador em música, a 10ª Sinfonia soou bastante Beethoven como teria soado qualquer outro compositor. Somente ouvidos experientes e conhecedores a fundo da matéria poderiam apontar erros de estilo, andamento, composição ou algo do tipo. Para mim está aprovado. Aguardo ansioso a 11ª Sinfonia.

3.  GPT-3. As últimas novidades são relacionadas às áreas de desenvolvimento. A GPT-3 é uma IA aberta que promete converter linguagem natural em linguagem de programação. O que é uma avanço significativo depois das iniciativas de low-code (desenvolvimento com pouco código) ou no-code (desenvolvimento utilizando principalmente gráficos e composição de elementos) que prometiam abstrair as habilidades de desenvolvedores, diminuindo ainda mais a barreira de desenvolvimento. Pois bem a GPT-3 baixa ainda mais esta barreira permitindo a conversão de códigos diretos do inglês para a linguagem da Microsoft que viabiliza a conversão - a Power Fx. 

Esses avanços de IA em programação sempre deixa muita gente da área de TI em polvorosa pois mesmo o mercado de programação sendo relativamente atraente, as vagas estão sempre em risco em função de que um concorrente possa fazer mais, melhor e com menos custo, seja uma software house com uma solução pronta, seja um estagiário indiano. E de repente bum ! Algo assim pode mandar o desenvolvedor local, a software house e o estagiário indiano para aumentarem a frota de Uber da cidade.

4.Codex. A OpenIA Codex é a melhor IA que converte linguagem natural em linguagem de programação tais como JavaScript, Python e PHP entre outras. O modelo do Codex é o mesmo usado no Copilot do Github. OpenAI Codex é o descendente de outro modelo, o GPT-3, porém é especializado em receber como entrada texto corrido e a partir dessa entrada devolve um código funcional. Veja um exemplo abaixo.

Apesar das muitas vantagens apresentadas não encontrei muitos outros casos de usos nem do Codex, nem do GPT-3, mas eles deverão aparecer, principalmente se tiverem sucesso na resolução de problemas propostos. Às equipes de desenvolvimento de TI e áreas negociais restará capricharem no inglês para que tais ferramentas se provem. Mas não há como não admitir que tais avanços são dignos de nota e serão mais importantes ainda se um belo dia em vez de baixar uma IDE para escrever um código sua primeira opção seja baixa os módulos para só dar direcionamentos ao Codex e similares.  

 Referências:

1. Hua Zhibing:

https://www.odditycentral.com/technology/meet-chinas-first-ai-powered-virtual-university-student.html

https://epaper.chinadaily.com.cn/a/202106/10/WS60c1508ea31099a234356c12.html

2. A 10ª Sinfonia de Beethoven

https://tecnoblog.net/meiobit/447066/ia-conclui-10a-sinfonia-beethoven/

3. GPT-3

https://techcrunch.com/2021/05/25/microsoft-uses-gpt-3-to-let-you-code-in-natural-language/ 

4. Codex da OpenIA

https://openai.com/blog/openai-codex/